Pesquisar        
 
 
Bottom Menu
  
  
  
  
   2 de Fevereiro | Dia Mundial das Zonas Húmidas
 

Publicado em 02.02.2004

Actualizado em 14.01.2008

 

 

Há riqueza da Diversidade das Zonas Húmidas: Não a Perca!

(Frase da campanha do Dia Mundial das Zonas Húmidas em 2005)

 

O tema escolhido para o Dia Mundial das Zonas Húmidas para 2005 foi o da sua diversidade biológica e cultural.

 

 

A diversidade biológica e cultural das zonas húmidas representa a riqueza natural que resulta das inter-relações milenares entre os povos e essas zonas. Essa inter-relação desenvolveu-se pela utilidade das zonas húmidas, como o sustento alimentar e por necessidades culturais, pelo que a manutenção da biodiversidade nestas zonas está geralmente intimamente ligada às vidas e crenças dos povos.

 

 

 

De facto, desde tempos remotos que o Homem tem recorrido às Zonas Húmidas (ZH) para seu próprio sustento e lazer, dada a sua variedade de habitats e de espécies faunísticas e florísticas, especialmente de aves aquáticas. As ZH providenciam uma série de produtos alimentares (como o peixe e o arroz) e não alimentares (como a madeira para construção), criando também grandes oportunidades recreativas e de turismo, desde a observação de aves à pesca.

 

 

A presença de água no solo cria espaços de particular beleza e interesse ecológico, como os estuários, as cataratas, as salinas, os rios e lagos. A cidade de Veneza, por exemplo, com os seus múltiplos canais, é foco de grande interesse turístico a nível mundial.

 

 

Qual a importância das Zonas Húmidas?

 

As ZH desempenham um papel regulador fundamental em termos do ciclo hidrológico: ao permitirem a deposição de sedimentos e nutrientes (como o fósforo e o azoto), transportados pela água, e a sua acumulação ou incorporação na vegetação residente, estas zonas tornam os ecossistemas húmidos bastante produtivos, competindo com os sistemas agrícolas intensivos e controlando cheias e inundações.

 

     

Além disso, as ZH constituem zonas de recarga de aquíferos e de purificação de águas doces, constituindo o local indicado para a desova de muitas espécies aquáticas.

 

No entanto, é de ressalvar que as ZH são ecossistemas frágeis, pelo que deverão ser explorados cuidadosamente, de forma a manter a sua herança cultural e natural, beneficiando residentes locais e visitantes. Por exemplo, a interferência com o movimento natural dos sedimentos e dos nutrientes, quer por pressões urbanísticas, quer por contaminação das ZH por efluentes industriais, agrícolas ou domésticos, pode ter graves consequências sobre as ZH e zonas adjacentes, nomeadamente pelo aumento da sua degradação e erosão e pela redução de biodiversidade.

 

A conservação, valorização e criação adequada das ZH são assim aspectos de grande relevância. Daí que, desde 1997, se celebre o dia mundial das zonas húmidas a 2 de Fevereiro, data em que foi assinada a Convenção de Ramsar.

 

 

Zonas Húmidas em Portugal

 

As Zonas Húmidas ocupam apenas 3% do território europeu. Em Portugal foram identificadas 49 ZH, estando algumas classificadas como sítios Ramsar, totalizando uma área de 66 094 ha. O Estuário do Tejo (a mais importante zona húmida do país e uma das dez mais importantes da Europa) e a Ria Formosa foram os primeiros sítios Ramsar designados em 1980.

 

A lagoa de Santo André, situada no litoral do concelho de Santiago do Cacém, está separada do mar por uma estreita faixa dunar, conforme mostra a figura. Esta lagoa costeira tem características eutróficas, com água salobra, devido à sua abertura anual ao mar. A confluência dos meios marinhos, dulçaquícolas e terrestres nesta zona conduz à presença de elevada biodiversidade, tornando-a uma importante zona húmida para a pasagem de aves migradoras.

 

 

 

 

As Salinas do Samouco correspondem a cerca de 360 ha de área de salinas e tanques expropriada pelo Estado Português e de extrema importância em termos de conservação da natureza de muitas aves migratórias que aí fazem escala. Essa expropriação ocorreu no âmbito do contrato de financiamento celebrado com a União Europeia, de forma a compensar pelos danos ambientais causados pela construção da ponte Vasco da Gama. Foi também criada a Fundação para a Protecção de Gestão Ambiental das Salinas do Samouco (Decreto-Lei n.º 306/2000, de 28 de Novembro), com o objectivo de promover a conservação e gestão sustentável da região.

 

Porém, tem-se verificado uma diminuição da avifauna na zona, face ao abandono da área, incluindo a falta de operação e manutenção das comportas, resultado da falta de financiamento da fundação, por parte dos Ministérios responsáveis, desrespeitando o compromisso assumido pelo Estado Português à União Europeia.

 

Centro de Zonas Húmidas - Portugal (Instituto de Conservação da Natureza) foi criado em 2001, tendo como principais objectivos a coordenação do Projecto de Conservação de Zonas Húmidas, nomeadamente a realização do Inventário Nacional e dos planos de gestão dos sítios Ramsar.

 

Acções Nacionais

Todos os anos, agências governamentais e não governamentais, assim como grupos de cidadãos têm aproveitado o dia mundial de ZH para elaborar acções de sensibilização e de formação relativamente à importância das ZH.

 

É de louvar o site da Convenção de Ramsar, que apresenta um canal exclusivamente dedicado a este dia, promovendo a distribuição anual e mundial de panfletos e cartazes alusivos ao dia e apresentando os eventos empreendidos pelos diferentes países e os resultados obtidos.

 

Em 2007 e 2006, não foram registados, neste canal, quaisquer actividades para Portugal. Em 2005, houve, por exemplo, a visita da escola EB1/JI do alto do Moinho às zonas húmidas do concelho do Seixal, nomeadamente o Sapal de Corroios e o Sapal de Coina, promovida pelo Grupo Flamingo - Associação de Defesa do Ambiente.

 

Em 2004 apenas são referidas duas acções, apesar de reconhecidos, durante a presidência aberta sobre o ambiente, os problemas existentes nos sítios Ramsar nacionais, nomeadamente os graves problemas financeiros que as Salinas do Samouco, no Estuário do Tejo, estavam a atravessar.

 

Muitos cidadãos já descobriram a beleza das zonas húmidas em Portugal nomeadamente do Parque Tejo (municípios de Lisboe e Loures), local habitual de convívio de muitas famílias durante o fim-de-semana.

 

(c)ASantos

 

De bicicleta ou a pé, com patins ou de skate, tudo serve de pretexto para amigos e familiares deambularem por este parque junto ao Rio Tejo, beneficiando os mais atentos de um espéctaculo de dança surpreendente por parte dos bandos das diversas espécies de aves que por aqui passam, nomeadamente de alfaiates (Recurvirostra Avosetta), raramente encontrados noutras zonas.

 

 

Aproveitemos então para conhecer um destes Sítios Ramsar de grande beleza!

 

Se sabe de alguma acção passada que não tenha aqui sido mencionada ou se irá promover alguma para comemorar o próximo dia mundial das zonas húmidas, escreva-nos a relatar.Aqui poderá encontrar os eventos previstos para 2008.

 

Cátia Rosas

Gabinete Técnico da CONFAGRI

 

Leituras recomendadas:

"LIFE em Zonas Húmidas"

 

 

 

Voltar


Imprimir          Enviar a um amigo
Imprimir Enviar a um amigo
 
Bottom
 
Apresentação  |  Estrutura Associada  |  Formação Profissional  |  Publicações  |  Política Agrícola  |  Meteorologia  |  Avisos Agrícolas
Agenda de Eventos  |  Legislação  |  Ambiente  |  Floresta  |  Bolsa do Bovino  |  Notícias  |  Previsões Agrícolas  |  Apoios Financeiros
Contactos  |  Links  |  As Suas Sugestões