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   Gestão de Resíduos Sólidos
 

Publicado em 19.05.2003

 

 

Os problemas associados com a gestão de resíduos sólidos (RS) na sociedade actual são complexos, dada a sua quantidade e diversidade gerada diariamente e que tem vindo a aumentar ao longo do tempo. O desenvolvimento explosivo de áreas urbanas, o financiamento limitado dos serviços públicos, os impactes tecnológicos e as limitações emergentes em termos energéticos e de matérias-primas também não facilitaram essa gestão.

 

Os RS incluem materiais sólidos e semi-sólidos que o possuidor considera não terem valor suficiente para serem conservados. As suas principais origens são: residenciais e comerciais; institucionais (centros governamentais, escolas, prisões e hospitais); construção e demolição; serviços municipais; estações de tratamento; indústria e agricultura (actividades de plantação, colheita, produção de leite, etc.).

 

Para combater a geração crescente de RS, tem-se procurado implementar a política dos 3 R´s: Redução, Reutilização e Reciclagem, contribuindo qualquer uma destas acções, por ordem decrescente, para a redução da quantidade de resíduos gerados, consumo de energia e de recursos naturais. Assim, para uma melhor gestão dos RS deverá proceder-se, por ordem  decrescente de importância e de poupança no consumo:

 

1.      Redução na origem, em termos da quantidade e/ou toxicidade dos resíduos que estão a ser produzidos. Este é o primeiro ponto na hierarquia por ser a forma mais completa de aproveitamento, que pode ser conseguida através do projecto, manufactura e embalagem de produtos com um conteúdo tóxico minimizado, um volume mínimo de material ou uma vida útil mais longa;

2.      Reutilização de muitos objectos do quotidiano, como embalagens reutilizáveis;

3.     Reciclagem, permitindo a transformação de materiais inúteis em novos produtos ou matérias-primas.

 

 

A redução de resíduos na origem ou a prevenção da sua produção pode ser conseguida através da aposta em:

  • eco-design do produto (projecto, manufactura e embalagem de produtos com um conteúdo tóxico minimizado, volume mínimo de material ou vida útil mais longa);
  • aplicação de novas tecnologias menos poluentes;
  • melhor conhecimento da situação actual relativamente ao tipo e quantidade de resíduos gerados no país, para que se possam diagnosticar as suas possibilidades de redução
  • gestão empresarial, com mudança de atitudes dos recursos humanos das empresas, incluindo gestores.

 

De entre estas três hipóteses, a última implica acções que requerem pouco ou nenhum investimento, podendo ser aplicadas a curto prazo, com benefícios imediatos para as empresas, tornando-as mais competitivas no mercado. Infelizmente, a nível nacional, esta cultura empresarial ainda não se encontra generalizada.

 

Uma grande variedade de materiais pode ser recuperada dos RS:

 

-          Alumínio: a reciclagem do alumínio é feita em dois sectores: latas de alumínio e alumínio secundário, incluindo este último caixilharia e portas, com qualidade variável. Há muita demanda para latas dado que se gasta menos 95% de energia para obter uma nova lata de alumínio a partir de uma velha do que a partir do minério (bauxite);

-          Papel: os principais tipos de papéis reciclados são jornais velhos, cartões, papel de alta qualidade e papéis misturados. Cada um destes tipos tem características diferentes em termos de tipo de fibra, origem, homogeneidade e tinta impressa, tendo consequentemente valores diferentes no mercado;

-          Plástico: a percentagem de plástico usado que é reciclada ainda é muito baixa;

-          Vidro: material comumente reciclado, incluindo vidro plano e de garrafas, muitas vezes separado por cor;

-    Metais ferrosos (ferro e aço): a maior parte do aço reciclado vem dos automóveis, sendo importante também a reciclagem de latas de aço usadas para sumos e alimentos;

-          Metais não ferrosos: são recuperados de vários equipamentos caseiros, como tachos, escadas e mobílias;

-          Borracha, proveniente dos pneus, estando já em funcionamento em Portugal a Sociedade ValorPneu que se encarrega de dar aos pneus o destino adequado.

 

A deposição em aterro representa a alternativa menos desejável de lidar com os resíduos da sociedade, embora actualmente ainda seja o método mais usado para o destino final destes.

 

Para além das empresas públicas e instituições privadas, também nós, cidadãos comuns, temos a responsabilidade e o dever de fazer com que o ciclo de vida de resíduos como o papel e o plástico não termine nos aterros sanitários. Para tal, finda a utilidade dos produtos, temos de nos empenhar na sua valorização e reciclagem, encaminhando-os para os sistemas de recolha adequados.

 

A separação na origem (nomeadamente em casa) é o princípio de uma boa recolha selectiva, facilitando ainda a triagem, valorização e reciclagem dos RS e tornando todo o sistema mais eficiente, económico e possível. Os materiais residuais que tenham sido separados na fonte devem ser depositados nos ecopontos ou ecocentros.

 

Um ecoponto é um conjunto de contentores utilizado para depositar RS como papel, embalagens, vidro e pilhas. Estão localizados em lugares públicos - por exemplo, feiras e mercados, escolas, complexos desportivos - e outros locais de grande produção de resíduos, incluindo zonas habitacionais. Cada contentor de um ecoponto apresenta cor e sinalética específica, relativa ao tipo de material que pode ser nele depositado. Os símbolos presentes nos contentores podem variar de local para local, pelo que é aconselhável observar com atenção a sinalética colocada nos equipamentos ou consultar a autarquia correspondente.

 

 

Contentor Azul – Papelão (papel e cartão)

 

Pode depositar

 

  • Caixas de cereais
  • Invólucros de cartão
  • Sacos de papel
  • Papel de embrulho
  • Jornais e revistas
  • Papel de escrita

 

Não deposite

 

  • Pacotes de sumo e de leite
  • Sacos de cimento
  • Fraldas e toalhetes
  • Pacotes de batatas fritas e aperitivos
  • Guardanapos e lenços de papel
  • Papel de cozinha; papel de lustro; papel celofane; papel vegetal; papel químico; papel de fax; papel de alumínio ou papel autocolante

 

 

 

 

Contentor Verde – Vidrão (garrafas e embalagens de vidro)

 

Pode depositar

 

  • Garrafas e garrafões de água, azeite e vinagre, vinho, cerveja, sumos, néctares e refrigerantes
  • Frascos de produtos de conserva e de molhos
  • Boiões de mel e compotas
  • Garrafas e boiões de leite e iogurtes

 

Não deposite

 

§         pratos, copos, chávenas e jarras de loiça

§         materiais de construção civil

§         vidro proveniente de hospitais e laboratórios

§         vidros de janelas, vidraças, pára-brisas

§         vidros armados e corados

§         ecrãs de televisão

§         lâmpadas

§         espelhos

§         pirex, cristais

§         vidro opala

§         embalagens de cosmética e perfumes

§         tampas e rolhas das embalagens de vidro

 

 

 

 

Contentor Amarelo – Plasticão (embalagens de plástico, metal e cartão complexo (embora em diversos sistemas as embalagens de cartão complexo sejam colocadas no contentor de papel e cartão)

 

Pode depositar

 

  • Garrafas de água, de vinagre e refrigerantes
  • Frascos de detergentes e produtor de higiene
  • Esferovite limpa
  • Sacos de hipermercado ou maiores
  • Películas de envolver embalagens ou grupos de embalagens

 

Não deposite

 

§         Embalagens de combustíveis e óleo de motor

§         Invólucros ou embalagens de cosmética gordurosa

§         Objectos de pequena dimensão

§         Embalagens de margarina, manteiga ou banha

 

 

 

 

Contentor Vermelho – Pilhas

 

 

 

O ecocentro consiste num parque amplo com contentores de grandes dimensões destinados a receber e armazenar separadamente resíduos de grandes dimensões com viabilidade de valorização, recuperação e reciclagem, como os entulhos, restos de madeira e electrodomésticos antigos, mas também óleos usados.

 

Após a sua colocação no ecoponto e no ecocentro, os RS são sujeitos a uma operação de triagem, realizada por operadores especializados, que agrupam os resíduos com características homogéneas e que se encontrem em boas condições, separando-os dos resíduos que não possam ser utilizados. A colocação dos diferentes RS nos sistemas de recolha deverá ter sempre em atenção o facto da triagem ser geralmente realizada manualmente.

 

A recolha voluntária apresenta maiores problemas, geralmente apresentando uma maior contaminação, devido à incorrecta separação do material depositado nos ecopontos. Para melhorar esta separação será necessário um maior investimento em formação, dirigida à sociedade civil.

 

A tabela seguinte sintetiza as principais vantagens e desvantagens das principais alternativas de gestão de resíduos sólidos.

 

Tratamento

Vantagens

Desvantagens

Reutilização

Permite o prolongamento da vida útil dos aterros, a diminuição das necessidades de incineração, a poupança de matéria prima e de energia e do custo de tratamento de resíduos; promove a alteração dos hábitos de consumo.

A necessidade de lavar/desinfectar os recipientes pode gerar um volume de efluentes líquidos maior e mais carregado; necessidade de reorganizar os circuitos de recolha/produção.

Reciclagem

Permite poupança de matérias primas e energia e a redução do volume e dos custos de tratamento dos resíduos; promove a alteração dos hábitos de consumo.

Dificuldades de recolha e destino dos materiais separados e em garantir um fornecimento contínuo de matéria-prima de boa qualidade aos compradores.

Incineração

Permite uma redução de 90% em volume e 70% em massa. Teoricamente, qualquer tipo de resíduo pode ser incinerado, embora tenham maior interesse os com maior poder calorífico, como por exemplo o plástico; produção de energia eléctrica.

Custo elevado, devido à sofisticação tecnológica exigida, nomeadamente ao nível de sistemas de tratamento; emissão de poluentes (gases, cinzas volantes, escórias); necessidade de um aterro de apoio.

Aterro Sanitário

Após o esgotamento da vida útil, a paisagem pode ser recuperada, construindo-se jardins, campos de jogos ou zonas de recreio.

Necessidade de espaços de grandes dimensões, para além de um controlo e monitorização contínua dos gases produzidos, das águas lixiviantes e pluviais.

 

Nota: A escolha alternativa da incineração à deposição em aterro é bastante polémica face aos gases tóxicos libertados, nomeadamente pela queima de plásticos, com a produção de dioxinas (compostos cancerígenos), sendo por isso incentivada a política dos 3 R´s.

 

Cátia Rosas

Departamento Técnico da CONFAGRI

 

Leitura Recomendada:

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Resíduos: O Que Pode Fazer?

 

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