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   Compostagem Doméstica | Oportunidade de Cidadania
 

Publicado em 11.04.2005

 

 

A compostagem doméstica permite ao cidadão proceder à valorização dos seus resíduos orgânicos, no próprio jardim ou quintal. Este tipo de compostagem promove a decomposição de resíduos domésticos orgânicos por acção de microorganismos, poupando custos ambientais (poluição) e económicos de transporte e deposição desses resíduos em aterro.

 

À semelhança dos procedimentos para a Vermicompostagem , deverão cumprir-se os seguintes passos para a compostagem doméstica:

 

1.      Escolha do local do compostor

2.      Escolha do compostor

3.      Compostagem

4.      Aplicação do composto

 

 

1. Escolha do Local do Compostor

 

O compostor deve ser colocado num local de fácil acesso durante o ano, com um misto de sombra e sol, de preferência em cima da terra, numa superfície permeável (para facilitar a drenagem da água e a entrada de microorganismos benéficos do solo para a pilha) e debaixo de uma árvore de folha caduca, que permite ter sombra no Verão e sol no Inverno.

 

O compostor funcionará quer esteja colocado à sombra quer ao sol, mas poderá requerer alguma atenção extra, em particular ao nível da humidade: se o compostor ficar exposto ao sol durante todo o dia, a pilha pode secar demasiado; se for colocado à sombra, não irá tirar proveito do calor solar e poderá ficar com excesso de humidade.

 

Em locais de clima seco, a localização ideal de uma pilha de composto é debaixo de uma árvore, que proporciona sombra durante parte do dia e evita a secagem e arrefecimento do composto. Em locais de clima húmido, com muita precipitação, convém cobrir a pilha ou compostor porque o excesso de água atrasará a decomposição.

 

 

2. Escolha do Compostor

 

Existem vários tipos de compostor à venda, tal como os compostores à prova de roedores. No entanto, pode fazer o seu próprio compostor, a partir de uma caixa de cartão, de madeira ou de plástico, furada por baixo, de modo a evitar cheiros e facilitar a entrada de microorganismos.

 

A Câmara Municipal do Seixal tem vindo a dinamizar, nos últimos 3 anos, o Projecto de Compostagem no Seixal, comparticipado pelo Programa Comunitário Life Ambiente, tendo já sido distribuídos no município vários compostores a residentes e escolas com jardins ou hortas e tendo sido implementada uma Unidade de Compostagem Municipal para produzir composto para os jardins públicos.

 

Residentes no município do Seixal em moradias com área de jardim mínima de 20 m2 podem solicitar o seu compostor ou obter mais informações sobre o projecto (Tel.: 21227 9006).     

 

 

3. Compostagem

 

Material necessário:

  • Materiais orgânicos (ver Tabela 1);
  • Água
  • Compostor de jardim
  • Tesoura de podar (para reduzir a dimensão dos resíduos a compostar)
  • Ancinho (para remexer o material de compostagem)
  • Termómetro
  • Regador

 

Todos os materiais orgânicos contêm uma mistura de carbono (C) e azoto (N), conhecida como razão C:N. Os materiais orgânicos que podem ser compostados classificam-se em castanhos e verdes; os castanhos contêm maior proporção de carbono (C), sendo geralmente secos e os verdes têm maior proporção de azoto (N), sendo geralmente húmidos. Para que a compostagem decorra da melhor forma, convém ter grande diversidade de resíduos.

 

 

Tabela 1 – Materiais a compostar e a não compostar

 

 

 

 

Procedimento

 

                          I.      Corte os resíduos castanhos e verdes em bocados pequenos.

                        II.      No fundo do compostor coloque aleatoriamente ramos grossos (promovendo o arejamento e impedindo a compactação);

                      III.      Adicione uma camada de 5 a 10 cm de castanhos;

                      IV.      Adicione no máximo uma mão cheia de terra ou composto pronto; esta quantidade conterá microorganismos suficientes para iniciar o processo de compostagem (os próprios resíduos que adicionar também contêm microrganismos); note-se que grandes quantidades de terra adicionadas diminuem o volume útil do compostor e compactam os materiais, o que é indesejável;

                        V.      Adicione uma camada de verdes;

                      VI.      Cubra com outra camada de castanhos;

                    VII.      Regue cada camada de forma a manter um teor de humidade adequado. Este teor pode ser medido através do "teste da esponja", ou seja, se ao espremer uma pequena quantidade de material da pilha, ficar com a mão húmida mas não a pingar, a humidade é a adequada.

                  VIII.      Repita este processo até obter cerca de 1 m de altura. As camadas podem ser adicionadas todas de uma vez ou à medida que os materiais vão ficando disponíveis.

                      IX.      A última camada a adicionar deve ser sempre de castanhos, para diminuir os problemas de odores e a proliferação de insectos e outros animais indesejáveis.

 

As folhas e resíduos de corte de relva acumulam-se num espaço de tempo muito reduzido e em grandes quantidades.

 

Caso tenha folhas em quantidades que não caibam no compostor:

  • Enterre algumas no solo;
  • Utilize-as como cobertura ("mulch")[1] em volta do pé de plantas e árvores;
  • Faça uma pilha num canto do jardim; as folhas degradar-se-ão rapidamente;
  • Guarde-as em sacos de plástico, armazene em local seco e acessível e adicione ao compostor à medida das suas necessidades.

 

Para os resíduos do corte de relva:

  • Coloque no compostor pequenas quantidades de cada vez e adicione materiais castanhos (os resíduos do corte de relva têm tendência para adquirir uma estrutura pastosa e criar cheiros);
  • Deixe estes resíduos expostos ao sol a secar; tornar-se-ão materiais ricos em carbono (materiais castanhos), que poderão ser misturados aos mesmos resíduos ainda verdes.

 

Factores que influenciam a compostagem

 

Para que a actividade microbiana se desenvolva em condições desejáveis, deverão ser considerados os seguintes aspectos:

 

-          Tamanho das partículas orgânicas: deverá estar compreendido entre 3 e 7 cm, de acordo com a utilização do produto final;

-          Razão C:N do resíduo a ser compostado deve estar compreendida entre 20 e 30:1;

§         se C:N for muito superior a 30:1, o crescimento dos microorganismos (e consequentemente a degradação dos resíduos) é atrasado pela falta de azoto;

§         se C:N for muito baixa, o excesso de azoto acelera o processo de decomposição, com um consumo mais rápido do oxigénio, podendo levar à criação de zonas aeróbias no sistema; o excesso de azoto é libertado na forma de amónia, provocando maus odores e produção de um composto mais pobre em azoto e por isso menos valioso em termos comerciais;

-          Inoculação – um arranque mais rápido e um tempo global inferior podem ser conseguidos juntando 1:5 a 1:10 de resíduos parcialmente decompostos; podem também ser adicionadas lamas de estações de tratamento de efluentes, desde que tendo em atenção a humidade global;

-          Humidadeos microrganismos que decompõem a matéria orgânica necessitam de humidade para se movimentarem na pilha e para decompor os materiais, visto que só são capazes de decompor os nutrientes que se encontrem na fase dissolvida; teores de humidade inferiores a 30% inibem a actividade microbiana; em processos de arejamento forçado, grandes quantidades de água são removidas por evaporação, pelo que pode ser necessária a adição de água para ajustar o teor de humidade. A estrutura física e a capacidade de retenção de água variam muito com o material a compostar, pelo que o teor de humidade adequado pode variar entre 40 e 70%, pelo que deve proceder ao teste da esponja à sua pilha a fim de determinar o teor de humidade adequado;

-          Mistura/revolvimento – o revolvimento permite a homogeneização inicial (para distribuição uniforme de nutrientes e microorganismos), o fornecimento de oxigénio, controlo da temperatura e humidade do resíduo em compostagem; a sua periodicidade dependerá de vários factores, como a dimensão da pilha, tipo e quantidade de materiais adicionados; para uma humidade de 55-60%, a primeira volta pode ocorrer ao terceiro dia e as seguintes em dias alternados, num total de 4 a 5 vezes; o revolvimento é por vezes acompanhado de cheiros ofensivos;

-          Temperatura – deve ser mantida entre os 50 e 60ºC, idealmente atingindo os 55ºC;  para valores muito elevados (a maioria dos microorganismos não sobrevive a temperaturas superiores a 70ºC), a temperatura passa a ter efeito inverso sobre os microorganismos, retardando e até eliminando a actividade microbiana; é importante que a temperatura se obtenha por acção microbiana e não pelo calor do sol.

-          Controlo de patogéneos – a maior parte dos patogéneos é destruída a 55ºC; a eliminação total pode ser conseguida deixando o material atingir os 70ºC durante 1 a 2 horas, o que exige uma operação atenta.

 

Na Tabela 2 encontram-se sistematizados alguns dos principais problemas, causas e soluções possíveis num processo de compostagem doméstica.

 

Tabela 2 - Problemas, causas e soluções na compostagem doméstica

 
 

Tempo de compostagem

 

O tempo para compostar matéria orgânica depende de diversos factores. Por isso mesmo, quanto maior for a atenção à pilha de compostagem, mais rapidamente funcionará o compostor.

 

Se as necessidades nutricionais da pilha forem atendidas, se os materiais forem adicionados em pequenas dimensões, alternando camadas de materiais verdes com materiais castanhos, mantendo o nível óptimo de humidade e remexendo a pilha 1 a 2 vezes por semana, o composto poderá estar pronto em 2 a 3 meses.

 

Se o material for adicionado continuamente, a pilha remexida ocasionalmente e a humidade controlada, o composto estará pronto ao fim de 3 a 6 meses.

 

O composto quando acabado não degrada mais, mesmo depois de revolvido. As suas características variam com a natureza do material original, com as condições em que a compostagem se realizou e com a extensão da decomposição. Mesmo assim, o composto é geralmente de cor castanha, apresenta baixa razão C:N e alta capacidade para permuta catiónica e para absorção de água.

 

 

4. Aplicação do Composto

 

Quando o composto estiver pronto:

-          retire-o da pilha de compostagem; pode usar um crivo para separar o material que ainda não foi degradado.

-          deixe o composto repousar 2 a 4 semanas antes da sua aplicação, especialmente em plantas sensíveis, colocando-o em local protegido do sol e chuva (fase de maturação).

 

O composto é geralmente aplicado uma vez por ano, na altura das sementeiras, sendo preferível aplicá-lo na Primavera ou no Outono, visto que no Verão o composto seca demasiado e, no Inverno, o solo está demasiado frio.

 

Se usar o composto em plantas envasadas, misture 1/3 de composto com 1/3 de terra e 1/3 de areia.

 

Se tiver:

-          pequena quantidade de composto, espalhe-o por cima da terra na vala onde pretende semear.

-          grande quantidade de composto, espalhe-o em camadas de 1 a 2 cm de espessura misturado com o solo, sem enterrar ou espalhe-o em camadas de 2 cm à volta das árvores e não misture com o solo.

 

E lembre-se que, ao compostar os seus resíduos, está a contribuir para diminuir os resíduos enviados para aterro, assim como a necessidade de fertilizantes químicos.

 

Curiosidades:

§   As folhas perdem cerca de 3/4 do seu volume uma vez compostadas. Uma grande pilha de folhas resultará numa pequena pilha de material compostado.

§   Uma família média precisa de dois sacos de lixo de jardim (76 cm x 91 cm) de folhas, serradura ou feno por mês.

 

Cátia Rosas

Gabinete Técnico da CONFAGRI

 

Leituras Recomendadas:

Compostagem - Destino Alternativo de Alguns Resíduos Orgânicos

Vermicompostagem

 

Sites Recomendados:

 

 



[1] A cobertura ou "mulch", que inclui composto e restos de jardim triturados, é um tipo de material colocado sobre o solo para evitar o crescimento de ervas daninhas, manter a humidade e prevenir a erosão, sendo também utilizado como cobertura atraente para o solo.

 

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