O secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Rui Barreiro, anunciou hoje, em Aveiro, o lançamento de uma Rota do Desenvolvimento Rural destinada a «mostrar as coisas boas que acontecem nesta área no território nacional».
«É minha obrigação, enquanto membro do Governo, demonstrar que há boas práticas de desenvolvimento rural no território nacional», disse Rui Barreiro na sessão de abertura do quarto Congresso de Estudos Rurais, que decorre até sexta feira na Universidade de Aveiro.
Estas boas práticas no mundo rural, salientou o secretário de Estado, devem-se à iniciativa e «aos investimentos de urbanos e de rurais» e merecem ser tornadas públicas.
«Portugal tem condições para ser exemplar naquilo que são as políticas de desenvolvimento rural», disse o governante, salientando a existência de «muitos exemplos positivos» em todo o país.
«Os casos são muito e são positivos. É natural que a comunicação social tenha mais apetência pelos problemas do que pelos resultados positivos, mas também é nossa obrigação, enquanto membros do Governo, demonstrar que há boas práticas», afirmou.É
neste contexto que a secretaria de Estado vai avançar logo que possível com a Rota do Desenvolvimento Rural.
Na intervenção dirigida aos cerca de centena e meia de congressistas, Rui Barreiro preferiu destacar os pontos positivos, embora sem concretizar, mas reconheceu que apesar dos avanços «é possível fazer muito melhor».
«A minha avaliação pessoal é que já desperdiçamos muito tempo, muito dinheiro e muitos recursos e ainda não conseguimos atingir um patamar de excelência em algumas áreas», frisou.
«Não será por acaso que quando vemos alguns indicadores do país não ficamos satisfeitos», prosseguiu, destacando o contributo de estudiosos e académicos que participam no congresso de Estudos Rurais.
O secretário de Estado disse ainda que a insatisfação em alguns sectores não se deve apenas aos políticos, mas também «aqueles que têm a obrigação de reflectir e aconselhar», convidando os especialistas a uma maior participação na vida pública.
«Tenho uma grande vantagem que é ao mesmo tempo uma desvantagem: eu hoje não me posso queixar do Governo. Estou cá. Esse álibi desapareceu e tenho a obrigação, enquanto cá estiver, de fazer um pouco mais e um pouco melhor», concluiu.
O congresso, que decorre no Complexo Pedagógico, Científico e Tecnológico da Universidade de Aveiro (UA), resulta de uma organização conjunta entre a UA e a Sociedade Portuguesa de Estudos Rurais (SPER).
Sob o mote "Mundos Rurais em Portugal - Múltiplos Olhares, Múltiplos Futuros", o CER procura, segundo Paulo Batista, um dos organizadores, «constituir-se como espaço de debate e discussão acerca dos percursos e trajectos das áreas rurais, tanto a nível nacional como internacional, até ao presente, avaliar as suas possibilidades de desenvolvimento futuro, identificar as diversas dinâmicas, actores e processos de reconfiguração e reestruturação».
O congresso acolhe diversas perspectivas científicas e práticas de domínios e áreas tão variadas como a Sociologia, o Turismo, a Geografia, a Antropologia, a Economia, a Gestão, a Agronomia, a Arquitectura, o Planeamento Regional e Urbano, entre outras.