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24-07-2014 00:32
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Produção e Comercialização da Cereja em Portugal 

Produção e Comercialização da Cereja em Portugal

Fonte: Observatório dos Mercados Agrícolas e Importações Agro-Alimentares

A cereja é o fruto da cerejeira, planta da família da Rosáceas, originária da Ásia. Trata-se de um fruto pequeno, arredondado, de cor vermelha, polpa macia e suculenta. As árvores que não produzem fruto, são cultivadas como planta ornamental no Japão.

A cereja pode ser consumida ao natural, como sobremesa, ou usada na preparação de conservas, compotas e bebidas como o cherry e o kirsh. Ao natural, a cereja tem propriedades refrescantes, diuréticas e laxativas. È um fruto rico em hidratos de carbono, flavonóides e potássio, aporta quantidades significativas de fibra e contém pequenas quantidades de provitamina A e vitamina C.

De acordo com os dados da FAO, a produção mundial de cereja para o ano de 2004 estimava-se em 1,8 milhões de toneladas, distribuídas por uma superfície de cerca de 380 mil hectares. A Europa é responsável por quase metade da produção mundial, destacando-se como principais produtores, na União Europeia, a Alemanha e a Itália e, fora da UE, a Ucrânia e a Federação Russa. Na Ásia produz-se 35% da cereja, a nível mundial, sendo a Turquia e o Irão os maiores produtores. Os Estados Unidos têm um peso de 14%, sendo praticamente o único país produtor da América do Norte e Central.

O leque de variedades de cerejeira é enorme. Dentro das variedades com tradição de cultivo em Portugal destacam-se, como mais importantes, as seguintes: Saco da Cova da Beira, Saco do Douro, Lisboeta, São Julião, Big Burlat, Maring, Napoleão Pé Comprido, e Big Windsor (Roxa), sendo as primeiras quatro de origem nacional. Recentemente foram introduzidas novas variedades, mais atractivas do ponto de vista comercial, pelo facto do fruto atingir elevado calibre e ter melhor poder de conservação, tais como: Brooks, Hedelfingen, Summit, Sunburst, Arcina, Sweetheart, Van, Bing e Earlise.

As áreas de cultura mais representativas, em Portugal, são a Cova da Beira, Resende, Alfândega da Fé e Portalegre, ocupando uma superfície total de 6.244 hectares.

A produção nacional ronda as 9 toneladas, sendo a Beira Interior a região de maior produção de cereja, com uma representatividade superior 50%, seguida das regiões de Trás-os-Montes e Entre Douro e Minho.

A produtividade média dos pomares nacionais de cereja (2,6 t/ha) fica aquém dos valores conseguidos noutros países europeus, como por exemplo, a Itália (3,4 t/ha), a Alemanha (4,1 t/ha) e a França (4,2 t/ha).

A cereja tem pouco peso na produção total de frutos frescos, no Continente, não chegando aos 2%, mas é uma espécie que normalmente gera um bom rendimento aos produtores, pois é bem valorizada no mercado. Encontra-se no mercado desde meados de Maio a meados de Julho.

Uma parte significativa da produção nacional de cereja encontra-se fortemente atomizada, existindo um elevado número de explorações de pequena dimensão. Com efeito, nas principais regiões de produção, o peso das explorações com pomares de cerejeiras de área inferior a 2 hectares excede 87% do total. Por sua vez, as explorações com plantações que totalizem uma área superior a 10 hectares tem uma expressão muito reduzida.

As formas de comercialização da cereja têm evoluído, sobretudo nas regiões onde a criação de Denominações de Origem Protegida e de Indicações Geográficas Protegidas, nas regiões da Beira Interior e do Alentejo, levaram a que as Organizações de Produtores e as respectivas Associações fizessem um esforço no sentido de concentrar a oferta, normalizar, diversificar a embalagem e até certificar o produto de melhor qualidade.

Também os circuitos de comercialização têm vindo a sofrer alterações, no que diz respeito aos operadores intervenientes, bem como aos locais de destino da produção. Assim, as Grandes Superfícies de Venda e os Mercados Abastecedores dos grandes centros urbanos têm vindo a alargar a sua intervenção, adquirindo, respectivamente, cerca de 40% e 45% da produção nacional. Os outros destinos são a indústria transformadora e os mercados de intermediação directa.

A balança comercial é altamente deficitária, em virtude das vendas ao exterior serem muito reduzidas – no ano de 2008 o valor de o valor de saídas para o exterior foi de 130 mil euros e o de entrada de 3,4 milhões de euros.

Espanha é o principal fornecedor do mercado nacional, com uma quota próxima dos 90% e em período de contra-estação destacam-se a Argentina e o Chile. No que respeita às vendas, os principais clientes da cereja nacional são Espanha e os PALOP e, em alguns anos, a Suíça e o Brasil.

Em praticamente todas as zonas de produção, continua a ser efectuada a reconversão dos pomares, substituindo as variedades tradicionais por outras de maior valor comercial e que satisfazem as expectativas dos produtores. Tem havido também alguma aposta na plantação de novos pomares. Estes factores serão, com certeza, decisivos para o aumento da produção de cereja nos próximos anos.

Tem havido, nos últimos anos, um interesse crescente, por parte da indústria espanhola, na aquisição de cereja para transformação, nomadamente na região de Trás-os-Montes e da Beira Interior.

Fontes:

GPP (2007) - Anuário Vegetal. Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas.

GPP (2007) - Diagnóstico Sectorial da Cereja. Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas.


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