Os agricultores da localidade Ferrel, no concelho de Peniche, vão pedir apoios ao Governo, depois de a geada do último fim-de-semana ter destruído toda a plantação de batata da freguesia.
«Estamos a fazer um levantamento dos prejuízos e já solicitámos a intervenção da Direcção Regional de Agricultura do Ribatejo e Oeste porque toda a produção de batata da freguesia está completamente destruída», disse à Lusa Silvino João, presidente da Junta de Freguesia de Ferrel.
O pedido de apoio dos agricultores, surge depois de «a geada negra, que queima a vegetação devido ao frio intenso e congelamento da água no interior das suas células, que caiu na noite de domingo e segunda-feira, ter queimado vários hectares de batata primor».
A batata primor é uma qualidade de batata plantada antes da época e cuja produção se restringe, segundo o autarca, «praticamente à freguesia de Ferrel, Gafanha da Nazaré e Montijo, onde a proximidade do mar, impede normalmente a queda deste tipo de geada».
As 150 toneladas de batata plantadas deveriam, segundo os agricultores, resultar, nos próximos meses de Março e Abril, numa colheita estimada de quatro vezes o seu peso, ou seja, cerca de 600 toneladas.
A produção habitualmente escoada através do Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL) e de algumas empresas de transformação de hortícolas, «este ano vai ser zero», assegura José Oliveira, de 62 anos.
O agricultor, que em conjunto com o filho, plantou 12,5 toneladas de batata e que estimava vir a colher cerca de 200, mostrou à Lusa o «cenário de destruição» que se estende por todas as parcelas de terreno.
Plantas queimadas ou apenas terra lavrada nas parcelas onde «a geada não deixou sequer a planta florescer», é o cenário que se repete nas terras de José Marques, onde as 7,5 toneladas plantadas «foram todas à vida».
A destruição da colheita afecta igualmente muitos pequenos produtores e agricultores de subsistência na freguesia que se dedica integralmente à cultura da batata, couve coração e alho francês.
«A couve é plantada noutra época e, nesta altura, há algum alho, mas pouco, já que a maioria dos agricultores está vocacionado para a batata», explica Bruno Agostinho, um jovem agricultor que viu destruídas as quase duas toneladas plantadas.
Os agricultores que estão ainda a apurar o valor exacto dos prejuízos, pediram a ajuda da Junta de Freguesia que reportou a situação ao deputado do CDS, Manuel Isaac, «no sentido se sensibilizar o Ministério da agricultura para esta calamidade e para desencadear apoio aos agricultores».
Os agricultores temem ainda que, para além dos prejuízos, possam «vir a ser penalizados pelas finanças, uma vez que temos as facturas de compra das sementes, mas depois não teremos da venda, e podemos ser acusados de não estar a declarar esses valores», explicam.
Fonte:Lusa