Fonte: Lusa
Um grupo de suinicultores está a movimentar-se para reivindicar a identificação da origem da carne de porco nos rótulos das embalagens como forma de valorizar os produtos nacionais e dar mais competitividade ao setor, disse hoje um dos produtores.
"Os suinicultores são obrigados a cumprir as regras do bem-estar animal e da segurança alimentar e não faz sentido as embalagens não dizerem a origem da carne", explicou à agência Lusa Vital Rosa, um dos produtores que lidera o movimento.
Neste sentido, os suinicultores defendem a identificação da origem da carne de porco produzida no país nos rótulos das embalagens para "saber o que é português e o que não é", à semelhança do que acontece com a carne de vaca.
Além de reuniões com suinicultores por todo o país, o grupo tem vindo a efetuar ações de sensibilização junto das grandes superfícies comerciais e tem agendada uma reunião para 5 de março no Ministério da Agricultura.
"Queremos que o ministério esteja connosco nesta luta que estamos a travar", sublinhou Vital Rosa.
À falta de legislação comunitária, a identificação da origem da carne de porco fica ao critério das empresas distribuidoras de produtos embalados e das grandes superfícies comerciais.
A agência Lusa aguarda um parecer do Ministério da Agricultura.
A produção nacional de carne de porco cobre metade das necessidades alimentares do país, colmatada com a importação de carne estrangeira oriunda em 98 por cento dos casos de Espanha, segundo a Federação Portuguesa das Associações de Suinicultores, que está solidária com o movimento.
"A identificação da origem seria uma das formas de rentabilizar a nossa produção", frisou o secretário-geral da federação António Simões Monteiro.
Segundo a federação, em 1994 a produção nacional assegurava 96 por cento do consumo, mas o setor veio a perder competitividade com o encerramento de milhares de explorações.
Desde 2008 que os suinicultores têm vindo a perder rentabilidade. Em 2010, a média do custo de produção era de 1,80 euros por quilo, enquanto a do preço de venda da carne ficava nos 1,45 euros por quilo.