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21-09-2017 23:52
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Produtos agrícolas no topo da subida das exportações para Angola 

 

No primeiro semestre a subida na venda de bens foi de 47 por cento mas níveis ainda estão baixos, numa altura em que as relações entre os dois países entram num novo ciclo.

Depois de um ciclo de quebras de quase dois anos, as vendas de bens de Portugal para Angola começaram a recuperar no final do ano passado. No primeiro semestre deste ano, a subida foi de 47 por cento face a idêntico período de 2016, atingindo os 876 milhões de euros.

Por grandes categorias, o destaque vai para os produtos agrícolas, cujo valor quase duplicou para 145 milhões de acordo com os dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística. Em termos de montantes totais, os produtos agrícolas são apenas suplantados pelas máquinas e aparelhos, que subiram 40 por cento para 208 milhões. Já o maior salto foi dado pelo calçado, que disparou 125 por cento para 12 milhões de euros no período em análise.

Com um comportamento negativo continuam os combustíveis minerais, não obstante ser um grande país produtor de petróleo, Angola tem de importar refinados por falta de infra-estruturas próprias e os veículos automóveis, fruto da crise que ainda atravessa o país devido à queda do preço do crude iniciada há três anos e que levou a fortes quebras no consumo de bens duradouros.

Mesmo assim, apesar dos sinais de recuperação, as exportações ainda estão em níveis baixos. Em Junho, a venda de bens para Angola foi de 147 milhões, abaixo do registado no mesmo mês de 2015, já em pleno movimento de retracção e muito aquém dos 242 milhões de Junho de 2014. A crise sentida neste país africano, que ainda depende quase em exclusivo do petróleo, acabou por travar, e depois inverter, o estreitamento de laços comerciais e de investimentos entre Angola e Portugal.

Com a crise da dívida soberana e a entrada da troika de credores em Lisboa em 2011, Angola foi destino de muitas empresas e trabalhadores portugueses que tiveram de compensar a contracção do mercado doméstico e da União Europeia (UE). Ao mesmo tempo, assistiu-se a um reforço das vendas de petróleo angolano a Portugal e a um aumento dos investimentos deste país.

O pico foi atingido em 2013 e 2014, tendo neste último ano as vendas para Luanda atingido os 3176 milhões, embaladas pelo primeiro semestre, ficaram acima de 2013. Quanto às compras de petróleo, Portugal pagou 2632 milhões a Angola em 2013, valor que desceu depois para 1606 milhões em 2014, altura em que este país se tornou no maior mercado fora da Europa e um dos cinco maiores a nível global, posições que já perdeu. O saldo, esse, tem sido favorável a Portugal, chegando aos 1570 milhões em 2014.

Com a crise em Angola, não só caiu o investimento público e o consumo como se agravaram os pagamentos em atraso e as dificuldades em expatriar capitais, com várias empresas a sair deste mercado e outras a cortar no número de trabalhadores ali colocados, algo mais evidente na construção civil.

Em declarações ao Público, o novo presidente da Câmara do Comércio e Indústria Portugal-Angola (CCIPA), João Traça, diz que há sinais de melhoria, mas ainda se está «longe do óptimo». Isto porque «os pagamentos pendentes de regularização, por parte do Banco Nacional de Angola, a muitas empresas portuguesas continuam a acarretar, para estas, problemas de tesouraria» e porque «não tem sido possível a muitas das empresas portuguesas repatriar dividendos por falta de divisas por parte do BNA».

Olhando para os investimentos directos (IDE) entre os dois países, não contabilizando aqui os vários negócios em Portugal foram feitos através de países como Holanda e Malta, 2014 também surge no topo. Nesse ano, o stock de IDE de Portugal em Angola atingiu 4600 milhões, e o IDE de Angola em Portugal chegou aos 1600 milhões. Valores muito acima dos 1,6 milhões e 50 milhões que se verificavam em 2002, ano em que Angola conheceu a paz depois da morte de Savimbi.

«Agora mais do que nunca, Angola assumiu como grande objectivo estratégico a diversificação da sua economia com a redução das importações e aumento das exportações em sectores não petrolíferos», destaca João Traça. Trinta anos depois da primeira visita de José Eduardo dos Santos a Portugal, começa um novo ciclo.

Fonte: Público


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