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25-06-2017 21:38
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Exportações continuam a crescer até 46 por cento do PIB já em 2019 

 

A nova dinâmica exportadora das empresas portuguesas veio para ficar, podendo representar metade do Produto Interno Bruto em 2025. A chave é a inovação.

As exportações vão continuar a crescer na próxima década, apoiadas na inovação, internacionalização e na melhoria do acesso ao crédito. Esta foi a ideia central da conferência de lançamento dos prémios Millennium Horizontes – iniciativa conjunta do Millennium bcp e do Global Media Group – destinados a apoiar as “empresas que conseguem ir mais longe”.

Tal como referiu o novo presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), as vendas ao exterior deverão passar dos actuais 40 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) para 46 por cento já em 2019. Luís Castro Henriques considera mesmo «provável» que em 2025 possam subir para um patamar de 50 por cento. Para este dinamismo, Castro Henriques considera ter contribuído a modernização do país, o investimento tecnológico, a abertura dos empresários à mudança e, em particular, a crise, «que pôs a tónica na necessidade de ir para fora».

Uma ideia partilhada pelo presidente do Conselho de Administração da Global Media Group, Daniel Proença de Carvalho, para quem a crise foi um «período triste», mas que teve o condão de «levar as empresas a um novo paradigma, assente na procura de novos mercados». Ainda assim, lembrou, só três por cento do total das empresas exportam e há oportunidades por explorar na América Latina, Ásia e em África.

António Simões, presidente da Sovena, o primeiro operador mundial no sector de óleos e azeite, que em 15 anos passou de uma situação em que 80 por cento do seu mercado estava em Portugal para outra inversa com 80 por cento das vendas fora de portas, alinha no mesmo entendimento. É a diferença entre vender 200 milhões em 2001 ou 1500 milhões agora. «Mais do que exportar, nós internacionalizámos», o que significa criar unidades de negócio nos mercados que se querem explorar, desde a Espanha ao Brasil, desde Marrocos a Angola e Estados Unidos.

A Sovena, que já controla 40 por cento do mercado ibérico, está apostada em criar um cluster em países do Mercosul, como Brasil, Chile e Argentina, e conta com um plano de investimentos em novas plantações superior aos 250 milhões de euros, que também incluem a Califórnia. Instado pela moderadora, a directora do Dinheiro Vivo, Rosália Amorim, a explicar como uma empresa de um sector tradicional consegue vingar na era da indústria 4.0, António Simões explicou, por exemplo, que a parte de irrigação de uma área que vai de Portugal a Espanha é gerida a partir de um computador em Ferreira do Alentejo.

É quando a inovação é integrada em todos os processos de uma empresa que se obtém os melhores resultados, lembrou o director-geral da COTEC, Jorge Portugal. Segundo aquele responsável, as empresas mais inovadoras exportam seis vezes mais, têm lucros oito vezes maiores, registam ganhos de produtividade por trabalhador 50 por cento acima da média, criam quatro vezes mais emprego e pagam salários 60 por cento mais elevados.

A COTEC assume como missão «ajudar as empresas a criar a sua rede de inovação», através, nomeadamente, de uma ferramenta de gestão desenvolvida para o efeito: a “Innovation Scoring”. Segundo Carlos Cabeleira, da COTEC, aquela ferramenta já foi utilizada por mais de 700 empresas e funciona como um complemento à análise de risco dos projetos de inovação, que ficará disponível também para as empresas que se candidatarem aos prémios e lhes permitirá comparar os seus indicadores com a média do sector.

Também a The Navigator Company, que tem a maior fábrica de papel da Europa, conta com a inovação para combater as desvantagens naturais face a países como o Brasil, onde a quantidade de pasta de papel obtida por hectare é quatro vezes superior.

A empresa, que factura 1600 milhões de euros, optou por concentrar 75 por cento da sua produção no papel, e mais de 50 por cento das vendas em papel “premium” que permite ganhos substanciais nos preços, sobretudo nos mercados mais ricos, explicou o admistrador Manuel Regalado. «Estar nos mercados onde os clientes precisam que estejamos faz parte do nosso ADN», disse a administradora executiva do Millennium bcp, Conceição Lucas, referindo-se também às parcerias com bancos estrangeiros e à consultoria integrada “chave na mão” que o banco oferece aos clientes com projectos de internacionalização nos domínios financeiro e jurídico, entre outros.

Fonte: dinheirovivo


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