Arganil destaca necessidade de se debater ordenamento florestal

Confagri 03 Abr 2018

A Câmara de Arganil considera que várias das conclusões do relatório da comissão técnica independente sobre os incêndios de outubro de 2017 vão ao encontro da posição do município, que destaca a necessidade de se falar de ordenamento.

«Há conclusões que são muito evidentes e que vão ao encontro daquilo que já tínhamos dito, disse à agência Lusa o presidente deste município do distrito de Coimbra, Luís Paulo Costa, apontando para as críticas em torno do número de reacendimentos e para a ausência de reforço de meios para a altura em que ocorreram os grandes incêndios de 15 e 16 de outubro de 2017.

Para além disso, o autarca sublinha a necessidade de se garantir a limpeza «nas faixas de proteção às habitações e aglomerados», bem como a necessidade de as «entidades públicas assumirem uma função de pedagogia” junto das populações – questão “não tão evidente no relatório».

Tal como o relatório defende um ordenamento florestal no país como forma de contrariar a existência de «manchas contínuas» de combustível, Luís Paulo Costa aponta para essa questão como essencial para garantir uma maior resiliência dos concelhos.

Para o presidente da Câmara de Arganil, um concelho em que a maioria das propriedades não chega a ter um hectare, «vai ter que ser o Estado a reordenar e a dar escala à propriedade», por forma a garantir uma gestão dos terrenos e a limpeza das matas.

Segundo Luís Paulo Costa, é preciso «uma gestão profissional, que seja feita em grandes áreas e que permita, em simultâneo, a exploração de espécies de crescimento rápido, como o eucalipto e o pinheiro, mas que tenha áreas de carvalho e castanheiro e zonas para a pastorícia e aceiros».

Sobre as observações da comissão sobre as câmaras, em que refere que há escassez de recursos financeiros para a proteção civil municipal e incompreensão dos autarcas quanto ao exercício das suas responsabilidades neste domínio, Luís Paulo Costa concorda, mas deixa várias notas.

«Nas regiões de baixa densidade, o que temos são municípios que têm fracas fontes de receitas próprias. Se o Estado quiser os municípios a assumir determinadas responsabilidades, tem que os dotar com mais meios», defendeu.

Fonte: Lusa

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