Incêndios: Pampilhosa da Serra perdeu 80 por cento da floresta e 500 habitações foram afetadas

Confagri 14 Nov 2017

Os dois grandes incêndios de junho e de outubro que afetaram a Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, destruíram 80 por cento da floresta do concelho e afetaram 500 habitações, cuja recuperação tarda em começar.

«O ponto da situação não é fácil de descrever. Tivemos um número muito elevado de destruição em casas de primeira e de segunda habitação. Neste momento, já temos o levantamento de todas as casas e já sabemos o que cada uma delas necessita construção ou reconstrução», explicou à agência Lusa o vice-presidente deste município, Jorge Custódio.

O autarca sublinha que estão a tentar arranjar mecanismos de ajuda para as construções, cujos prejuízos são de «pequena monta», até cinco mil euros, de forma que pelo menos essas possam já arrancar com a reconstrução.

«Mas temos todas as outras de primeira habitação, que são cerca de 112, e de segunda habitação, que são 387, e queremos acudir o mais urgente possível», disse.

Mas se para as casas de primeira habitação há a garantia de ajuda para a totalidade da sua recuperação por parte do Governo e da própria Comissão de Coordenação e desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), o mesmo já não acontece para as de segunda habitação, que são a grande maioria.

«A nossa preocupação vai para as casas de segunda habitação. Até porque é de uma monta maior, são 387 como disse, e não nos foi ainda garantido que vai haver ajuda para estas casas, sendo certo que estas casas, para nós, têm quase o mesmo peso que as primeiras, porque há muita população que mantém aqui as suas casas e que moram cá a maior parte do tempo, embora não as tenham oficialmente como primeira habitação», frisou.

Jorge Custódio recorda aos portugueses que querem ajudar a população de Pampilhosa da Serra que o podem fazer através da doação de materiais de construção ou de cercas de vedação para animais, uma vez que ao nível de roupas e de alimentação todas as pessoas estão salvaguardadas.

O autarca sublinha que, no total, arderam cerca de 32 mil hectares da floresta de Pampilhosa da Serra, ou seja, ardeu 80 por cento do concelho, sendo que oito mil hectares arderam em junho, no incêndio de Pedrógão Grande, 20 mil no incêndio de 15 de outubro e, pelo meio, tiveram ainda um outro incêndio de grande escala.

«O impacto vai ser terrível. Primeiro, porque sendo um concelho puramente florestal, toda a atividade que se mexia à volta dessa atividade não vai parar só este ano. Nos próximos anos vai acentuar-se. E, segundo, todas as pessoas que fazem a exploração da floresta, neste momento, estão claramente a tentar cruzar os braços», disse.

Isto porque o valor que está a ser pago à tonelada da madeira não compensa de todo fazer a recolha da lenha nos terrenos. «O futuro não vai ser risonho. Obviamente que sozinhos não vamos conseguir. Eu tenho dito isto muitas vezes, não basta repor. Se a ideia for só ajudar-nos a repor o que existia, sabe a pouco», sustenta.

O autarca entende que, após este flagelo, o país tem que perceber que este é o momento de olhar para o Interior e de o ajudarem a alavancar: «Não só repor, mas ajudar a fazer mais. Ou então, aí sim, aí temos uma geração perdida durante muitos anos».

Fonte: Lusa

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