Alga reduz em 80% as emissões de metano pelo gado

Confagri 25 Ago 2020

Fonte: expresso.pt

Uma empresa criada pela agência nacional científica australiana vai comercializar um aditivo que poderá dar uma contribuição para reduzir o aquecimento global.

Um aditivo alimentar à base de uma alga que reduz substancialmente a emissão de metano pelo gado bovino vai ser comercializado por uma empresa criada especialmente para o efeito na Austrália. A empresa, FutureFeed, é uma iniciativa da agência científica nacional, a CSIRO, depois de cinco anos de testes comprovarem os efeitos da asparagopsis taxiformis, a alga em questão.

A diminuição das emissões de metano é importante para combater o aquecimento global, pois essa substância é ainda mais eficaz do que o dióxido de carbono a prender o calor na atmosfera. Nos EUA, cerca de dez por cento dos gases com efeito de estufa referem-se ao metano, com o gado responsável por entre metade e um quarto desse total.

O aditivo funciona inibindo a produção de metano por parte de microorganismos que intervêm durante o processo normal de digestão nos animais. Segundo vários estudos confirmaram (pelo menos um deles, realizado na Penn State University e citado na digitaltrends,com, utilizou alga colhida ao largo dos Açores), um suplemento de não mais do que 0,5 por cento de asparagopsis taxiformis na ração animal reduz em cerca de 80 por cento as respetivas emissões de metano.

Isto acontece sem que o rendimento dos animais seja prejudicado – e até, possivelmente, melhorando-o. A CSIRO estima que, se dez por cento das explorações pecuárias em todo o mundo utilizassem o novo aditivo, o efeito agregado seriam 120 megatoneladas a menos de metano emitidas, o que equivaleria a menos cinquenta milhões de carros na estrada todos os anos.

O aditivo deverá começar a ser comercializado na Austrália em meados do próximo ano, seguindo-se o mercado internacional. Não deverá ser fácil, contudo, atingir os efeitos de escala desejados. Primeiro, porque nem todos os animais parecem apreciar o sabor resultante. Depois, há 1,5 mil milhões de cabeças de gado no mundo, e as algas necessárias não podem simplesmente ser colhidas no oceano, por razões ambientais e não só, tendo de ser cultivadas em explorações próprias.

Por último, não é impossível que os micróbios comecem a adaptar-se ao aditivo e a anular até certo ponto os seus efeitos, como antes sucedeu noutros casos. Os estudos já realizados não bastam para ter certezas quanto a isso.

Estas reservas, expressas por um professor de nutrição aquando da apresentação dos resultados de um estudo no encontro da American Dairy Association o ano passado, não impedem um sentimento geral de otimismo em relação ao potencial do aditivo para ajudar a reduzir as emissões de metano pelo gado. A maioria das quais, contrariamente à ideia comum, têm a ver não com flatulência mas com arrotos.

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