Cooperativa Agrícola quer “profissionalização” do sector sem abandonar técnicas ancestrais de produção

Confagri 13 Ago 2018

Freguesia de Ermelo. Foto arquivo Jornal AVV © Fotobeleza

 

A recente distinção da Cooperativa Agrícola de Arcos de Valdevez e Ponte da Barca com o prémio PME LIDER 2017 e com Medalha de Ouro para a Carne de Cachena da Peneda DOP dá um novo impulso ao sector primário da região, mas também trazendo associada a promoção de uma raça cuja produção tem interessado aos criadores, de Norte a Sul do país.

Actualmente com cerca de 2500 associados, a Cooperativa Agrícola congratula-se pelos prémios recentemente conquistados devido a um dos principais produtos da região, a carne da Cachena, cuja raça tem na Serra da Peneda o seu solar, mas também pela defesa da manutenção de outros produtos relacionados com a agricultura tradicional alto-minhota.

“Todo o trabalho desta entidade tem vindo a ser reconhecido, situação com que nos congratulamos, tendo sido recentemente atribuída a esta Cooperativa Agrícola, o Prémio PME Líder 2017, pela sua solidez financeira, qualidade e excelência de gestão, bem como vários prémios de mérito agrícola atribuídos pela Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas de Portugal, nos anos de 2016, 2017 e 2018”, notou a Cooperativa.

A propósito desta premiação, a cooperativa para os concelhos de Arcos de Valdevez e Ponte da Barca realça ainda o investimento feito “na organização de circuitos comerciais de produtos originários as explorações agrícolas dos associados”, onde, para além da carne da Cachena DOP, se incluem outros autóctones, como o feijão Tarrestre, a laranja de Ermelo ou a noz e a castanha, no que respeita aos frutos secos. Produtos que integram a lista do movimento internacional “Slow Food”, uma organização que promove a melhoria da qualidade das refeições e uma produção que valorize o produto, o produtor e o meio ambiente.

 “A Carne de Cachena, património Genético Nacional que, pela sua excelente qualidade tem vindo a aumentar, quer ao nível do volume comercializado, quer ao nível dos produtores aderentes ao processo de produção, recria e acabamento. Destaca-se no cenário das carnes nacionais e internacionais, sendo distinguida em concursos e eventos, como o Concurso Nacional de Carnes Tradicionais Portuguesas com Nomes Qualificados, onde lhe foi atribuída a Medalha de Ouro pelo segundo ano consecutivo (2017 e 2018) e o concurso internacional Great Taste 2017, onde obteve o prémio máximo para este tipo de produtos”, esclarece ainda a Cooperativa Agrícola.

Os jovens agricultores, “com capacidade produtiva acima da média encontrada neste território” representam a nova aposta e suporte para a continuidade produtiva de gado da raça, conforme refere José Carlos Ribas Gonçalves, presidente da Direcção da Cooperativa Agrícola de Arcos de Valdevez e Ponte da Barca (CAAVPB) e do Agrupamento de Produtores da Carne da Cachena da Peneda D.O.P., que conta actualmente com cerca de 150 produtores distribuídos por vários concelhos da área de acção do agrupamento, nomeadamente Arcos de Valdevez, Monção, Melgaço, Ponte da Barca, Terras de Bouro e Vila Verde.

A nova realidade produtiva, mais vocacionada para a rentabilidade do que as tradicionais pequenas explorações de subsistência, ditaram também uma organização do sector, que se nota “no aumento da dimensão média das explorações pecuárias, associado a um aumento do número de produtores com projectos de investimento aprovados, com dinâmica produtiva, receptividade para a aceitação de novos processos produtivos e novas formas de recria e acabamento dos seus efectivos”.

Poderá esta nova fase produtiva, cuja “profissionalização” e nova dinâmica em torno da importância do produto na gastronomia regional, acabar com as produções tradicionais, de pequena escala, que foram perpetuando esta espécie, mesmo quando os agentes económicos do sector se focaram na criação de raças mais rentáveis por cabeça? José Carlos Gonçalves garante que, na região solar da raça, os métodos de criação são também parte da valorização do produto.

“A realidade pecuária desta região, e mais especificamente desta raça, assenta ainda em métodos e técnicas tradicionais de produção que nos interessa preservar e manter. O princípio básico de uma Denominação de Origem Protegida é a preservação das técnicas ancestrais e tradicionais produtivas, numa óptica de associar o produto ao território, à sua origem e à sua génese. O conceito de agricultura de subsistência, obviamente, deverá ser substituído por sistemas agrícolas sustentados e direccionados para a preservação dos ecossistemas, do correto uso dos recursos e do património do território”.

A rede de distribuição desta carne, fresca ou em restaurantes seleccionados, onde é acompanhada por uma ementa que privilegia outros produtos autóctones, é outra das apostas do projecto da Cooperativa e do agrupamento de produtores, embora não seja relativamente fácil encontra-la nos mercados locais arcuenses ou da região onde há produtores associados. “Tem sido a nossa luta. Trabalhamos numa estreita interligação com todos os intervenientes, desde a produção até ao consumidor final”.

“A nossa estratégia tido sido orientada para o estabelecimento de parcerias comerciais com talhos e a restauração local e também a valorização e sedimentação da parceira tida com a PEC Nordeste – Matadouro de Penafiel, que nos permite escoar e comercializar o nosso produto em espaços comerciais dinâmicos e de proximidade com áreas urbanas (Lisboa e Porto, entre outras), onde este produto é, obviamente mais valorizado”, explica José Carlos Gonçalves.

Sem pretender a massificação – “privilegiamos parcerias sólidas e direccionadas, não sendo nossa intenção a massificação do produto” – o presidente da Direcção da Cooperativa Agrícola garante que há uma “supervisão total” do processo produtivo, de abate e de comercialização do produto que assegura a “transparência de toda a fileira produtiva e comercial”.
Para o efeito, “existem entidades responsáveis por todo o processo, nomeadamente a Cooperativa Agrícola de Arcos de Valdevez e Ponte da Barca e a Certis – Organismo de Controlo e Certificação do produto”.
“Ressalvamos o importante contributo que outros parceiros têm assumido neste processo. Falamos obviamente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, da Câmara Municipal da Ponte da Barca e da Câmara Municipal de Melgaço, sendo nosso intuito que estejam neste projecto todas as outras autarquias dos concelhos que fazem parte do solar da raça”, destaca José Carlos Gonçalves.

Fonte: Jornal AVV

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