Dessalinização pode ajudar o Algarve mas “não resolve todos os males”

Confagri 02 Mar 2020

Fonte: rr.sapo.pt/Lusa

O Algarve sofre de secas frequentes. Ir buscar água ao mar pode ser uma solução, mas não pode ser a única, diz a investigadora Manuela Moreira da Silva.

A dessalinização de água do mar pode ajudar a combater a seca no Algarve, mas “não vai resolver todos os males” e devem ser encontradas “soluções integradas” que se adaptem a cada realidade local, disse à Lusa uma investigadora.

Manuela Moreira da Silva, investigadora do Centro de Investigação Marinha e Ambiental (CIMA) da Universidade do Algarve, concorda com a solução de obter água através da dessalinização admitida pelo ministro do Ambiente, mas frisou que esta não deve ser a única solução para combater a seca na região.

“Acredito que [a dessalinização] é uma opção, mas não vai resolver todos os males, tem que ser uma solução integrada com outras”, disse à Lusa a docente, responsável pelo mestrado em Ciclo Urbano da Água na UAlg, questionada sobre a proposta assumida por João Pedro Matos Fernandes.

Em fevereiro, durante uma conferência em Loulé, no distrito de Faro, o ministro do Ambiente e da Ação Climática defendeu que a falta de água no Algarve não se resolve com a construção de novas barragens – solução defendida pelos municípios, apontando a dessalinização como uma das apostas a seguir no futuro.

Manuela Moreira da Silva considerou que o Algarve vive um “momento em que as palavras-chave são eficiência e alteração de comportamentos”, já que o cenário atual está marcado por uma “diminuição da precipitação média” e dos “recursos naturais subterrâneos ou superficiais” disponíveis nas barragens ou lençóis freáticos.

Contudo, alertou, é necessário “um grande investimento” para a região se adaptar a uma nova realidade, assim como procurar origens de água tendo em conta a “situação geográfica”, já que a situação de “São Brás de Alportel não é similar à de Tavira, Faro ou Lagos”, justificou.

“É preciso perceber em que situações fará sentido investirmos em dessalinização, conscientes de que a dessalinização, pelos sistemas que atualmente mais se utilizam – osmose inversa – implicam grandes consumos energéticos”, afirmou, reconhecendo que a “utilização de energias renováveis” pode reduzir o custo que o processo tem e que encarece a água.

A mesma fonte advertiu, ainda, que “outra das dificuldades da dessalinização” passa pelo destino que é dado aos resíduos criados pelo processo químico que retira o sal da água do mar.

“A dessalinização de água do mar tem rentabilidade entre 45 e 55 por cento e produz-se uma grande quantidade de concentrado – uma solução hipersalina – que, além de ter muito sal, ainda tem um conjunto de produtos químicos que devem ser equacionados e têm um grande impacto ambiental”, alertou.

A investigadora apontou o exemplo da ilha da Culatra – núcleo habitacional das ilhas-barreira da Ria Formosa pertencente ao concelho de Faro – como um local onde a “dessalinização já se pondera” no âmbito de um projeto que visa torná-la numa ilha “autossustentável”, e reconheceu que esse processo “pode ser uma solução complementar muito interessante”.

No entanto, admitiu que a “melhor solução hoje, daqui por meia dúzia de anos, pode não ser a melhor”, dando como exemplo a construção de uma barragem na Foupana, no sotavento algarvio, reclamada há anos por autarcas e agricultores.

“[A barragem] já devia ter sido construída há 20 anos. Com os dados de há 20 anos era para se avançar com a construção, mas hoje tenho muitas dúvidas sobre isso, porque a realidade mudou completamente”, argumentou.

Em vez de novas barragens, a investigadora aponta outra possível solução para as cidades, que estão a confrontar-se, por “efeito das alterações climáticas”, com “fenómenos extremos de precipitação cada vez mais frequentes” e podem “adaptar-se para, nesses picos de precipitação, conseguirem reter a água em reservatórios localizados próximos dos locais onde ela vai ser necessária”.

Todas as soluções devem ser estudadas para “poupar energia, água e contribuir para neutralidade carbónica”, afirmou a investigadora da UAlg, considerando que este é um “grande desafio”, e que passa por “muito mais do que construir barragens”.

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