Dia Mundial da Abelha

Confagri 20 Mai 2020

Fonte: DGAV

A 20 de maio de 2020 comemora-se o Dia Mundial da Abelha, iniciativa que teve início em 2018 e que tem por objetivo sensibilizar a população para o papel essencial das abelhas e dos outros polinizadores, na saúde humana e no planeta, bem como para os muitos desafios e ameaças que estas espécies têm de enfrentar.
O tema do ano 2020 é “Compromisso com as abelhas”, com especial realce na produção apícola e boas práticas adotadas pelos apicultores em todo o mundo para apoiar o seu meio de subsistência e oferecer produtos de alta qualidade.

Para mais informações e/ou participar no evento virtual de 20 de maio organizado pela FAO, consulte http://www.fao.org/world-bee-day/en/

Informações gerais sobre a apicultura em Portugal

A apicultura em Portugal tem tido uma evolução positiva nos últimos anos, com um total de 11.625 apicultores com 799.133 colónias registados em setembro de 2019 (última declaração anual de existências). Estes números, em 2013, eram 8.620 apicultores e 459.397 colónias, revelando um crescimento de mais de 30% no número de apicultores e de mais de 50% no número de colónias nos últimos 7 anos.

Verifica-se também que o setor apícola tem vindo a profissionalizar-se nos últimos anos, com um maior número de colmeias por apicultor. Esta evolução apresenta aspetos positivos de dinâmica para o setor e constitui uma mais valia do ponto de vista sanitário, uma vez que os aspetos de produtividade e rentabilidade, determinam uma gestão higio-sanitária mais eficaz dos apiários.

O aumento de efetivo apícola dever-se-à às condições nacionais edafo-climáticas ótimas para a atividade em Portugal, aos incentivos a jovens apicultores e a uma maior consciencialização dos apicultores que se registam mais e também ao trabalho das organizações de apicultores, que se encontram bem organizadas, com apoio técnico especializado e presentes em todo o território nacional. Estas organizações de apicultores são apoiadas pelo Governo através do Programa Apícola Nacional, implementando planos sanitários que incluem entre outras medidas, ações de divulgação aos apicultores, visitas aos apiários, distribuição de medicamentos contra a varroose e colheita de material para análises laboratoriais.

A proteção da sanidade apícola também é assegurada pela DGAV através do Programa sanitário anual e o Plano Integrado de Controlo Oficial de Apiários (PICOA) que consiste na realização de controlos oficiais a apiários no território nacional continental com comunicação de resultados e recomendações aos apicultores.

Do ponto de vista de ameaças às abelhas e à apicultura, realçam-se as catástrofes naturais (incêndios) e o risco de introdução de novas doenças das abelhas.

Incêndios

Como catástrofes naturais mais recentes, a ocorrência de incêndios em junho no verão e outono do ano passado e deste ano em Monchique apresentaram grande impacto a nível local, com perdas de milhares de colónias e sobretudo com perda de alimento para as colónias sobreviventes.

O Governo tomou então medidas de mitigação do efeito dos incêndios florestais no setor apícola, como a distribuição de várias toneladas de açúcar aos apicultores para alimentação das abelhas, através das organizações do setor.

Doenças das abelhas

A varroose é uma doença endémica em Portugal (e na maior parte da Europa) e continua a ser o principal problema sanitário do efetivo apícola nacional.

A Comissão Europeia considera que o aparecimento das outras doença das abelhas surge devido à fragilidade das colmeias causada pela varroose, pelo que é primordial o controlo desta doença.

As medidas implementadas pela DGAV em conjunto com as organizações de apicultores, nomeadamente através da distribuição de medicamentos contra a varroose aos apicultores através do Programa Apícola Nacional têm permitido manter a varroose em níveis de infestação baixos que não influenciam significativamente a produtividade das colmeias.

No contexto de uma estratégia sanitária de acordo com os princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pela Comissão Europeia e pela legislação nacional, a DGAV elaborou o “Plano de luta contra a varroose” , com o objetivo de constituir uma ferramenta de apoio para os apicultores e as suas organizações na luta contra a varroose no território nacional.

O Plano apresenta recomendações específicas de medidas de cariz higio-sanitário, com principal enfoque numa correta utilização de medicamentos para o tratamento da varroose, estando atualmente autorizados pela DGAV um total de 14 medicamentos para tratamento da varroose, e na importância da aplicação concertada e simultânea dos mesmos para uma maior eficácia, através das organizações de apicultores locais.

Risco de novas doenças

A presença em Itália desde 2014 de uma nova doença de abelhas, Aetinose por Aethina tumida, constitui uma ameaça para a apicultura nacional. As infestações provocadas por Aethina tumida são muito agressivas e incontroláveis levando muitas vezes à destruição das colónias e ao desaparecimento das abelhas. Até à data, Itália ainda não conseguiu controlar a presença desta doença no país, com milhares de colmeias já destruídas, pelo que está atualmente proibida a expedição de abelhas a partir das regiões afetadas de Itália.

As preocupações dos apicultores com a presença  de Aethina tumida em Itália são amplamente partilhadas pela DGAV, que considera que a Comissão Europeia está a tomar as diligências possíveis para proteção do efetivo apícola dos restantes Estados Membros, através de medidas legislativas (decisões comunitárias) que determinam a proibição de certificação para exportação de abelhas de regiões afetadas de Itália, bem como em pedidos de reforço da vigilância de todas as entradas de abelhas, dentro da União Europeia e provenientes de Países Terceiros, de modo a evitar a disseminação da doença por outros Estados Membros.

Face a esta nova ameaça para a apicultura portuguesa, a DGAV tem mantido o estado de alerta através do reforço das medidas de vigilância face à possibilidade de entrada da doença no território nacional, e tem promovido a divulgação de informação sobre a doença e sobre as medidas de salvaguarda para evitar a sua introdução em Portugal, no portal da DGAV e em diversas ações de formação, colóquios e encontros com os apicultores.

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