Eleição das Comissões de Coordenação regionais avança em 2020 para dar confiança à regionalização

Confagri 02 Dez 2019

Fonte: 24.sapo.pt/MadreMedia/Lusa

O primeiro-ministro revelou que a eleição das Comissões de Coordenação avança no início de 2020, “para criar no país a confiança necessária para os passos seguintes”, nomeadamente a eleição direta das Áreas Metropolitanas e a Regionalização.

“Já no primeiro semestre de 2020, queremos que seja possível proceder ao reforço da legitimidade democrática para que as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional [CCDR] possam assumir plenamente o desenvolvimento de estratégias regionais. Este é o momento certo e não deve haver qualquer tipo de adiamento. Este não é o passo que todos anseiam, mas é o que desde já deve ser dado para criar no país a confiança necessária para os passos seguintes”, afirmou António Costa, no encerramento do XXIV da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), em Vila Real.

Costa saudou o regresso do debate sobre a criação de regiões, frisando que nele “não pode haver lugar a fantasmas”, e revelando que o Governo “está disponível para não avançar já com a eleição direta para as Áreas Metropolitanas”, para evitar “entraves a quaisquer desenvolvimentos futuros no processo de regionalização”.

“Conforme consta do nosso programa, damos assim um passo importante para consolidar, no quadro regional, e democratizar o seu funcionamento, sem antecipar decisões futuras sobre regionalização. Mas também nada fazendo que possa comprometer quando for essa a decisão soberana da vontade popular, de uma verdadeira regionalização”, justificou.

A intenção é, assim, e antes de debater os próximos fundos comunitários, tratar da “eleição indireta dos presidentes das CCDR por um colégio eleitoral vasto”.

Esse colégio eleitoral será, disse, “composto por presidentes e vereadores das câmaras municipais e por presidentes e membros das Assembleias Municipais, incluindo presidentes das juntas de freguesia”.

“Por outro lado, o Governo vai integrar nas CCDR os serviços desconcentrados do Estado”, em áreas como a Saúde, Cultura, Turismo, Conservação da Natureza e Florestas, “sem prejuízo da transferência de algumas das competências para as CIM [Comunidades Intermunicipais] e Áreas Metropolitanas”.

Eleição direta das Áreas Metropolitanas aguarda para não entravar Regionalização

Costa explicou que “o Governo tem ponderado a apreensão de muitos autarcas, das próprias Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto e dos seus presidentes, de que as eleições diretas [por sufrágio universal] das Áreas Metropolitanas possam ser entendidas como entrave à regionalização”.

O primeiro-ministro saudou o regresso do debate sobre a regionalização, que marcou os dois dias do congresso, defendendo que nesta discussão “não pode haver lugar a fantasmas”.

“O debate em torno da regionalização deverá ser promovido a partir das conclusões do relatório da comissão independente”, acrescentou.

O chefe do executivo referiu ainda estar em curso um “ambicioso processo de descentralização de competências ao qual responderam grande parte dos autarcas”.

“Dos 278 municípios, 219, ou seja, 81%, já começaram a assumir as competências em processo de descentralização”, observou.

Para Costa, a descentralização a “pedra angular da reforma do Estado”, acompanhada “da simplificação dos procedimentos, da melhoria dos serviços públicos” ou “de uma administração pública motivada”.

O primeiro-ministro defendeu que o processo, a concluir até 2021, “tem de ser uma prioridade para todos”.

“Só assim assistiremos a níveis que nos aproximam das democracias mais antigas da Europa. É um processo exigente e ambicioso que exige um acompanhamento permanente e diálogo contínuo, e que exige confiança”, disse.

“Só com confiança haverá mudança”, alertou.

De acordo com o governante, a comissão de acompanhamento da Descentralização terá um “papel muito relevante nos meios a transferir para os municípios e a respetiva aplicação”.

“Essa monitorização é absolutamente essencial, porque a descentralização não pode falhar – nem porque carece dos meios necessários, nem por conduzir ao receio dos centralistas de que o poder mais próximo é menos exigente na disciplina das suas finanças”, defendeu.

Desbloquear regionalização sem precipitar etapas

“Temos de continuar o trabalho político agregador que, com o ritmo certo, sem precipitar etapas, e com uma grande disponibilidade para o consenso, consiga desbloquear – tão breve quanto possível – o processo de modernização do Estado português”, afirmou Manuel Machado, na sessão de encerramento do congresso.

No final concluiu-se, segundo o presidente da ANMP, que a “criação de regiões é um instrumento fundamental para iniciar novas políticas de desenvolvimento regional que prossigam objetivos de coesão, de competitividade e de equidade”.

Na opinião do também presidente da Câmara de Coimbra, as “regiões significam mais coesão territorial, menos assimetrias, maior riqueza económica socialmente útil para a melhor qualidade de vida de todos”.

“A organização político-administrativa do Estado vai ter mesmo que mudar para ser capaz de dar resposta às exigências do país tal como ele é hoje. E não desistimos desta causa”, sublinhou.

Este é, para o autarca socialista, “um desígnio nacional” que tem de mobilizar todos: cidadãos, autarcas, órgãos de soberania, representantes da sociedade civil, instituições e associações.

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