Um acordo sobre o Mercosul seria um beco sem saída para os agricultores e cidadãos europeus

Confagri 30 Mai 2019

A comissária europeia do Comércio, Cecilia Malmström, confirmou a 24 de maio que será possível alcançar um acordo sobre o Mercosul nos próximos meses, uma situação que o copa-Cogeca diz ser inaceitável, não apenas para os agricultores e suas cooperativas, mas também para todos os cidadãos que votam a favor de uma Europa mais verde, mais transparente e mais protetora.

Em comunicado, o Copa-Cogeca questionou a Comissão Europeia como vai justificar aos agricultores e aos cidadãos europeus os seus planos para importar mais produtos agrícolas do Brasil apenas alguns meses após a autorização de mais de 150 pesticidas pelo governo daquele país e, ao mesmo tempo, propor uma estratégia totalmente oposta aos seus agricultores.

Altos representantes da Comissão também expressaram a opinião de que o impacto de um acordo comercial com o Mercosul sobre os setores sensíveis seria administrável. O COPA e a COGECA, organização da qual a CONFAGRI faz parte, mostraram o total desacordo sobre esta posição, em especial tendo em conta o impacto acumulativo do acordo, considerando outros acordos comerciais existentes e já previstos.

Os modelos de produção do Brasil estão submetidos a normas ambientais, sanitárias e fitossanitárias muito inferiores às regras em vigor na Europa. Por conseguinte, o país ficaria em vantagem competitiva clara e desleal. Para o setor agrícola europeu, já sujeito a muita pressão, será ainda mais difícil sobreviver, pois será confrontado com as importações massivas de carne de bovino, açúcar, carne de ave, etanol, arroz, sumo de laranja e muitos outros produtos procedentes dos países do Mercosul.

Em reação, o secretário-geral do Copa-Cogeca, Pekka Pesonen, declarou que «a União Europeia já acordou um acesso substancial ao mercado para os produtos agrícolas considerados sensíveis sem receber muito em troca. As concessões comerciais devem ser reduzidas ao mínimo nos setores europeus mais sensíveis, nomeadamente, na carne de bovino, carne de ave, açúcar, etanol, arroz e sumo de laranja. Qualquer acordo comercial deve estar equilibrado com as outras políticas da União Europeia (UE). Os agricultores europeus podem assumir restrições adicionais e colocar em pratica medidas ambiciosas de adaptação às alterações climáticas e aos desafios ambientais, mas sob a condição de que a UE não prejudique os seus esforços tolerando a importância de bens de sócios comerciais que incentivem a desflorestação e praticas agrícolas inaceitáveis» dentro das fronteiras do bloco europeu.

Com a crescente incerteza ao redor das negociações do Brexit e o comércio internacional e à luz das discussões sobre a futura Política Agrícola Comum (PAC) e o orçamento da UE, o COPA e a COGECA instam a União Europeia a não exercer uma maior pressão sobre o setor agrícola e solicitam aos novos eurodeputados eleitos, que defendem uma União justa e protetora, a levantarem a sua “voz”.

Fonte: Copa-Cogeca

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