Investidores esperam perdas amargas no açúcar em 2019

Confagri 03 Jan 2019

O açúcar está a fechar 2018 com um sabor amargo devido aos sinais de que a queda dos preços pode piorar ainda mais no próximo ano. Os futuros sobre esta matéria-prima caíram 17 por cento este ano, segunda perda anual consecutiva, uma vez que a expansão da produção global provocou um excesso de oferta. O único fator que impediu uma queda ainda mais profunda foi a forte procura por etanol no Brasil, o maior produtor e exportador de açúcar do mundo. Mas agora esse apoio parece estar a desaparecer.

Os fabricantes podem transformar a cana em açúcar ou biocombustível. Durante boa parte de 2018, os preços elevados da gasolina fizeram os processadores brasileiros preferir produzir etanol, o que ajudou a limitar o excedente de açúcar. A queda recente do petróleo sinaliza que essa tendência está prestes a ser revertida.

A maioria dos motoristas brasileiros possui carros movidos a gasolina ou etanol. Tradicionalmente, os consumidores escolhem o combustível alternativo quando o custo é de menos de 70 por cento do preço da gasolina porque gera menos energia por litro. Agora que o petróleo está em queda, a perspetiva de consumo de combustível tradicional está a melhorar e, em resultado, os preços do etanol estão em declínio.

Em 2019, as unidades de produção de cana-de-açúcar podem lucrar até 13 por cento mais transformando a colheita em açúcar em vez de biocombustível, segundo dados da consultora FGA, com sede em Ribeirão Preto, São Paulo. A previsão contrasta com o desconto de até 30 por cento do açúcar neste ano.

Nos níveis de prémios projetados, os preços provavelmente serão atraentes o suficiente para estimular os fabricantes a produzir dois milhões de toneladas de açúcar adicionais na época 2019-2020, que começa em abril, disse Willian Hernandes, sócio da FGA, em entrevista por telefone. Estas previsões têm em conta os produtores do Centro-Sul, a principal região produtora do Brasil.

Enquanto isso, a Marex Spectron prevê que o Centro-Sul produzirá 28,8 milhões de toneladas na próxima época, um salto de 2,3 milhões de toneladas. O potencial máximo de produção adicional seria de 10 milhões de toneladas.

A perspetiva de maior produção do Brasil provavelmente vai manter o açúcar em queda a partir deste ano. Os futuros atingiram o menor patamar em 10 anos, de 9,91 cêntimos de dólar por libra-peso em agosto, devido à perspetiva de excedente recorde e colheitas abundantes da União Europeia à Tailândia.

O mercado teve um breve alívio devido à dimensão das exportações da Índia e à expansão da procura por etanol no Brasil. Mas de repente o petróleo começou a perder valor, reduzindo a perspetiva para o biocombustível e arrastando o açúcar para baixo.

Há uma área de consenso entre analistas e traders: o petróleo arrastará o açúcar para onde for, para cima ou para baixo.

«Podemos estar num longo período de incerteza até ao início da época de colheitas no Brasil em 2019», disse Michael McDougall, vice-presidente sénior da ED&F Man Capital Markets em Nova Iorque, num relatório publicado a 12 de dezembro.

Fonte: jornaldenegocios

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