Previsões Agrícolas – Ano agrícola 2021/22 foi o mais quente e o terceiro menos chuvoso desde 1931

Confagri 21 Nov 2022

Fonte: INE

As previsões agrícolas, em 31 de outubro, apontam para decréscimos de produtividade da azeitona (-40%, face ao ano anterior), em resultado da escassa precipitação e das elevadas temperaturas. Nas fruteiras, o cenário é semelhante, com quebras generalizadas de produção na ordem dos 45% na pera, 30% na castanha, 20% na maçã, 15% na amêndoa e 5% no kiwi. A vindima de 2022 também deverá registar decréscimos (-15%), antecipando-se a produção de vinhos bem estruturados, com harmonia entre álcool, acidez, açúcares e taninos.

As culturas arvenses de primavera foram igualmente afetadas pelas condições de seca severa presentes ao longo do seu ciclo vegetativo, prevendo-se decréscimos de produção de 10% no milho para grão de regadio e de 15% no arroz e no tomate para a indústria.

Apesar da precipitação, a utilização de alimentos conservados mantém-se em níveis muito superiores ao normal

A subida dos teores de humidade dos solos garantiu as condições mínimas para a realização das operações de mobilização do solo e sementeiras das culturas forrageiras (nomeadamente azevém ou consociações de gramíneas e leguminosas). Favoreceu ainda, em conjunto com as temperaturas amenas, a regeneração dos prados e pastagens de sequeiro. O aumento da matéria verde destas áreas permitiu a entrada em pastoreio dos efetivos de bovinos, mas ainda não garantiu a totalidade das necessidades alimentares, pelo que a maioria destes efetivos continuou a ser suplementada com alimentos conservados em quantidades consideradas semelhantes ao período homólogo, mas bastante superiores ao habitual para a época (o que, naturalmente, poderá comprometer a disponibilidade destes alimentos ao longo dos meses de inverno).

Campanha oleícola com perspetivas pouco animadoras

O olival tradicional é uma cultura predominantemente de sequeiro e, pese embora a sua elevada rusticidade e adaptação às condições, a seca afetou o seu desenvolvimento vegetativo, limitando o vingamento e o desenvolvimento dos frutos, o que levou à queda prematura da azeitona e de parte da folhagem. Devido às fracas perspetivas de produção, muitos olivais não foram tratados, o que intensificou, nalgumas zonas, os ataques recentes da mosca-da-azeitona e gafa, com reflexos negativos na qualidade do azeite.

A norte do Tejo, a precipitação ocorrida na segunda quinzena deste mês teve um efeito positivo na azeitona. A colheita dos olivais tradicionais a sul do Tejo ficou praticamente concluída durante o mês de outubro, sendo que em alguns olivais a quantidade de azeitona não justificou a colheita, o que contribuiu para as significativas quebras de produção.

Nos olivais intensivos a colheita está a decorrer com quebras de produção, embora menos acentuadas, estimando-se um decréscimo de produtividade global de azeitona de cerca de 40%, face à campanha anterior. O azeite obtido a partir das variedades Galega e Cobrançosa apresenta elevados valores de acidez, enquanto o obtido a partir das variedades Arbequina e Arbosana é, na generalidade, de melhor qualidade.

Produção de arroz deverá decrescer 15%

As perspetivas são de uma redução global na produção de arroz na ordem dos 15%. No entanto, regionalmente, a campanha decorreu de forma distinta. No Ribatejo e Alentejo, a colheita prosseguiu com relativa normalidade ao longo de todo o mês de outubro, embora com quebras de produção acentuadas, face à campanha anterior.

Na região do litoral Centro, em particular no Baixo Mondego, a produção foi ligeiramente superior ao ano passado e com bom rendimento industrial. As searas de arroz colhidas mais cedo, apresentavam pouca humidade devido ao tempo seco que se registou nos meses de verão, o que reduziu os custos de secagem do arroz. Nas colheitas mais tardias, com a precipitação que ocorreu, o arroz ficou com alguma humidade nas panículas, o que promoveu a presença de periculária no final do ciclo vegetativo. Em todo o caso, a qualidade do arroz é globalmente boa.

Previsões apontam para a mais baixa produção de milho para grão na última década

A colheita do milho para grão foi antecipada na maior parte das regiões, encontrando-se praticamente concluída. O tempo quente e seco favoreceu a colheita e secagem do grão, faltando apenas colher alguns milhos de ciclo mais longo e os instalados em parcelas localizadas em zonas húmidas que, entretanto, ficaram encharcadas com a precipitação de meados do mês, obrigando à interrupção dos trabalhos.

As condições meteorológicas adversas observadas ao longo do ciclo do milho provocaram um decréscimo generalizado de produtividade em todas as regiões. De referir que, a subida da cotação internacional desta commodity e a Portaria 131/2022 (diretamente ligada à invasão russa da Ucrânia) não se traduziram em acréscimos significativos de área de milho para grão, uma vez que o extraordinário aumento dos preços dos meios de produção, sobretudo dos fertilizantes, energia e combustíveis, terá pesado na decisão dos agricultores/as. Desta forma, estima-se uma diminuição de produção no milho para grão de regadio de 10%, resultado essencialmente dos decréscimos do rendimento.

Tomate para a indústria afetado pelas altas temperaturas e chuvas de setembro

No tomate para a indústria a colheita concluiu-se na primeira semana de outubro, confirmando-se uma quebra de produção relativamente à campanha anterior na ordem dos 15%. A cultura foi prejudicada pelas elevadas temperaturas ocorridas em julho e agosto, que afetaram a floração e causaram muitas ocorrências de escaldão nos frutos em crescimento, e também pela precipitação no final da campanha, que originou podridões e atrasos nas maturações e colheitas.

Produção de maçã decresce 20% e de pera 45%

Nas maçãs, as variedades mais tardias do grupo Granny foram colhidas até à primeira quinzena de outubro e as do grupo Fuji até à última semana do mês, tendo-se verificado uma quebra de produção menos significativa do que o esperado. Nas variedades precoces, nomeadamente no grupo das Galas, o decréscimo da produção rondou os 20%, enquanto nas Golden e nas Reinetas a produção foi semelhante à da campanha anterior. Globalmente preveem-se decréscimos na produção de maçã na ordem dos 20%, relativamente ao ano passado.

De um modo geral, a qualidade dos frutos é boa, com graus Brix elevados, sabores intensos e concentrados.

No entanto, os calibres são inferiores ao normal, o que levou alguns produtores/as, para satisfazerem as exigências de mercado, a colherem em várias passagens na mesma árvore, sendo que, em algumas variedades, parte da produção foi depreciada por apresentar calibres muito reduzidos.

A colheita da pera concluiu-se na região do Oeste durante a primeira quinzena de setembro, registando-se quebras na produção global de 45%, relativamente à campanha anterior, devido às condições meteorológicas adversas e à estenfiliose. De referir que em termos qualitativos os calibres e os teores de açúcar foram superiores à campanha anterior.

Precipitação beneficia pomares de kiwis

A precipitação ocorrida, com o consequente aumento da humidade nos solos, promoveu o desenvolvimento dos kiwis, que estão maioritariamente no estado fenológico M – fruto em crescimento. A colheita da variedade Hayward, a mais representativa, deverá começar na segunda semana de novembro, prolongando-se por todo o mês. No litoral Centro a colheita do kiwi verde terá início no mês de novembro, apresentando os frutos calibres e grau Brix inferiores ao normal. Globalmente prevê-se um ligeiro decréscimo de produção de 5%, uma vez que muitos pomares de kiwi mantêm a produtividade constante ao longo dos anos, devido ao uso de substâncias que provocam a quebra de dormência, ao pólen artificial e ao controlo muito rigoroso das dotações de rega, entre outras práticas culturais.

Produção dos novos amendoais do Alentejo foi insuficiente para compensar as quebras em Trás-os-Montes

A colheita da amêndoa concluiu-se em outubro, estando a realizar-se os trabalhos de descasque, secagem e armazenamento. Ao contrário das primeiras estimativas, a entrada em produção dos novos pomares do Alentejo não foi suficiente para compensar a quebra de produção registada em Trás-os-Montes, essencialmente devido à situação de seca e às geadas tardias. A produção global deverá diminuir 15% face à campanha anterior, mantendo-se, ainda assim, 21% acima da produção média do último quinquénio. Nota para a influência que a precipitação de setembro e outubro teve nas amendoeiras, possibilitando a absorção de nutrientes antes da queda das folhas e, consequentemente, a reposição das reservas energéticas, situação que irá beneficiar a cultura no próximo ciclo vegetativo.

Soutos com expressivo decréscimo de produção

A precipitação da segunda quinzena do outubro contribuiu para atenuar o stress hídrico dos soutos e para o desenvolvimento vegetativo dos ouriços, favorecendo o aumento do calibre das castanhas. Contudo, para a maioria dos soutos que se encontravam no início da queda de frutos, a melhoria das condições foi tardia, pelo que as perspetivas são pouco animadoras, estimando-se um decréscimo de produção de 30%, face à campanha passada. A propagação da vespa das galhas do castanheiro (Dryocosmus kuriphilus Yasumatsu) é uma preocupação acrescida, sendo bem visível a redução da floração e respetiva frutificação nas árvores atacadas. O efeito da luta biológica só é visível após alguns anos, pelo que não devem ser descuradas as largadas continuadas do inseto parasitoide Torymus sinensis.

Chuvas de setembro e outubro beneficiam vindimas tardias

As vindimas concluíram-se até ao final do mês, apenas com interrupções pontuais nos períodos de maior precipitação. A campanha foi significativamente influenciada pelas altas temperaturas e falta de humidade que acompanharam fases decisivas do ciclo vegetativo da vinha: após uma floração e alimpa regular, os sintomas de stress hídrico começaram a manifestar-se muito cedo, logo a partir de maio, com impacto direto no desenvolvimento dos bagos que, apesar de em elevado número por cacho, mantiveram-se pequenos e leves. O calor extremo de julho e de agosto conduziu a situações muito frequentes de escaldão e dessecação dos cachos, bem como à paragem de desenvolvimento dos bagos, que estagnaram em níveis de açúcar relativamente baixos. Face a este cenário, muitos viticultores/as optaram por realizar nestas condições a vindima, de forma a minimizar os prejuízos, entregando nas adegas uvas sãs, ainda que com um grau alcoólico potencial inferior ao habitual. As chuvas de setembro desbloquearam a paragem fisiológica nas vinhas não vindimadas, permitindo o enchimento dos bagos e o aumento do teor de açúcares, apesar de terem prejudicado o estado sanitário das uvas (nomeadamente com o surgimento de podridão cinzenta). Excetuando algumas sub-regiões da Região do Vinho Verde, da Bairrada e da Beira Interior, a produção deverá ser inferior à da vindima de 2021, estimando-se uma diminuição global de 15%. Antecipam-se vinhos bem estruturados, com harmonia entre álcool, acidez, açúcares e taninos.

Na uva de mesa, a diminuição da produção deverá rondar os 10%, face à campanha anterior.

Leia aqui o Boletim do INE

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