Previsões Agrícolas maio 2020 – Quebra de produtividade na cereja atinge os 60%

Confagri 19 Jun 2020

Fonte: INE

As previsões agrícolas, em 31 de maio, apontam para uma má campanha das prunóideas, em particular na cereja, onde se prevê uma diminuição no rendimento unitário de 60% face a 2019, mas também no pêssego, cuja produtividade deverá rondar as 9,1 toneladas por hectare (-20%, face à campanha anterior). Estes decréscimos são consequência das condições meteorológicas muito adversas da primavera, nomeadamente das chuvas intensas que ocorreram em períodos sensíveis do ciclo destas culturas. Em contrapartida, nos cereais de inverno, estima-se um aumento generalizado nas produtividades (+10% no trigo mole e triticale e +15% no trigo duro, cevada e aveia).

Quanto às culturas de primavera/verão, de salientar a redução de 10% prevista para a área de arroz, consequência da interrupção do fornecimento de água a cerca de 3 mil hectares de canteiros desta cultura enquanto decorrerem as obras de reabilitação do aproveitamento hidroagrícola do Vale do Sado. No milho, batata e tomate para a indústria as áreas instaladas deverão ser semelhantes às da campanha anterior, enquanto no girassol deverá haver uma redução (-15%), acompanhando a tendência observada nos últimos cinco anos. De referir que a pressão das doenças criptogâmicas tem sido intensa, obrigando à intensificação dos tratamentos fitossanitários na generalidade das culturas.

Primavera quente favorece desenvolvimento de pastagens e forragens

A primavera muito quente e com precipitação superior ao normal em março e abril ampliou de forma acentuada o habitual pico de produção das pastagens, com um aumento de biomassa muito significativo e disponibilidades forrageiras que permitiram o pastoreio pleno dos efetivos pecuários explorados em regime extensivo. Existiram também condições favoráveis para a obtenção de alimentos conservados (forragens e silagens), sendo que ao longo de maio já decorreram cortes e secagens para a obtenção de fenos um pouco por todo o país, com produtividades superiores às alcançadas na campanha anterior.

Apesar dos atrasos, área semeada de milho mantém-se

A generalidade das sementeiras das culturas de primavera/verão tem decorrido com interrupções, essencialmente devido à precipitação de abril e início de maio que dificultou a entrada das máquinas nos terrenos. Relativamente ao milho de regadio, e exceção feita a algumas zonas no litoral Norte e Centro, as áreas destinadas a esta cultura foram semeadas até ao final de maio. Estima-se a manutenção das áreas instaladas face à campanha anterior (76 mil hectares de milho de regadio e 7 mil de milho de sequeiro).

De referir que as áreas semeadas mais cedo tiveram alguns problemas de germinação e paragens de desenvolvimento devido ao excesso de água dos terrenos, situação entretanto ultrapassada. No final de maio, o desenvolvimento vegetativo era normal, encontrando-se entre as fases V2 (2 folhas) e V4 (4 folhas).

Obras de reabilitação do aproveitamento hidroagrícola do Vale do Sado reduzem em 10% a área semeada de arroz

Também no arroz se verificaram atrasos nas sementeiras, em resultado das chuvas de abril, e que conduziram a cenários diversos nas principais regiões produtoras: no Baixo Mondego, até ao final de maio foi possível recuperar desse atraso, sendo que os canteiros já se encontram todos semeados; no Ribatejo, ainda faltava semear cerca de 50% da área total prevista (semelhante à campanha anterior); já no Alentejo, o principal constrangimento foram as obras de reabilitação do aproveitamento hidroagrícola do Vale do Sado (previsivelmente apenas durante esta campanha), que interromperam o fornecimento de água a cerca de 3 mil hectares de canteiros de arroz. Assim, estima-se que a área de arroz diminua para os 26 mil hectares (-10%, face a 2019, e -12%, face à média do último quinquénio), o registo mais baixo dos últimos doze anos.

Área de batata semelhante à da campanha anterior

As plantações tardias de batata de regadio foram dificultadas pela precipitação de abril, tendo havido a necessidade de replantações, nomeadamente quando os tubérculos estiveram sujeitos a elevados teores de humidade no solo. Registaram-se ainda dificuldades no desenvolvimento inicial, também devido ao excesso de humidade, situação já superada. O baixo preço de mercado (no primeiro trimestre o preço médio da batata no produtor foi 36% inferior ao registado no período homólogo) e condicionalismos resultantes da situação de emergência sanitária, nomeadamente a perceção que a procura poderia diminuir, provocou, no início da campanha, algumas hesitações relativamente à área a plantar. Observou-se, no entanto, um posterior aumento na procura de batata-semente, satisfeita pelo mercado e plantada ou a plantar ao longo de maio e junho, e que veio atenuar as reduções de área instalada inicialmente estimadas. Desta forma, prevê-se que a superfície global de batata (sequeiro e regadio) se mantenha próxima da registada na campanha anterior (-1%).

Quanto às condições fitossanitárias desta cultura, destaque para o continuado aumento da pressão do míldio, que tem obrigado a uma intensificação dos tratamentos preventivos e curativos.

Ritmo de plantação do tomate para a indústria aumenta e recupera atrasos

No tomate para a indústria, os trabalhos de plantação em abril e princípios de maio decorreram de forma intermitente, com interrupções resultantes da dificuldade de acesso das máquinas aos terrenos saturados. Na segunda quinzena de maio o ritmo intensificou-se, estimando-se que se possam concluir as plantações durante a primeira semana de junho. A área instalada, considerando os dados de contratação entre os primeiros transformadores aprovados (indústria transformadora de tomate) e as organizações de produtores e produtores não associados, deverá rondar os 14,9 mil hectares. As searas mais precoces apresentam um desenvolvimento normal. Têm-se registado focos de míldio que, nos casos mais extremos e por atingirem plantas muito jovens, foram incontroláveis, e que obrigaram à replantação de áreas com algum significado.

Quanto ao girassol, o tempo seco em fevereiro/março dificultou as sementeiras de sequeiro, tal como a precipitação de abril dificultou as de regadio. Prevê-se uma diminuição de 15% da área semeada, face a 2019, fixando-se nos 7 mil hectares e mantendo a tendência dos últimos cinco anos de redução da área ocupada por esta cultura.

Condições favoráveis na fase do enchimento do grão nos cereais de inverno fazem prever boa campanha

As condições meteorológicas na fase do enchimento do grão (temperaturas elevadas e precipitação pontual) foram favoráveis para o desenvolvimento vegetativo dos cereais de inverno, tal como já tinha acontecido durante a fase de espigamento. Consequentemente, estimam-se aumentos generalizados do rendimento unitário face à campanha anterior: +10% para o trigo mole e triticale e +15% para o trigo duro, cevada e aveia. O centeio deverá manter a produtividade de 2019.

Campanha da cereja bastante afetada por condições meteorológicas adversas

Na cereja, cultura bastante sensível às condições meteorológicas, a produtividade foi particularmente afetada quando, no dia 31 de março e em plena fase de floração/polinização das variedades intermédias/de estação/tardias, ocorreu queda de neve numa das principais zonas de produção (Cova da Beira). Esta circunstância comprometeu o vingamento dos frutos com a deficiente polinização e limpeza da flor, mas não afetou significativamente as variedades precoces, que já estavam em fases mais adiantadas. No entanto, os dias de temperaturas anormalmente baixas, a formação de geada e a intensa precipitação da primeira quinzena de abril, provocaram elevados estragos nestas variedades, com grande parte da produção a ficar fendilhada ou sem poder de conservação (e, consequentemente, sem interesse comercial). A agravar toda esta situação, a intempérie de 31 de maio, com chuvas, granizos e ventos fortes, provocou estragos em muitos dos frutos que tinham conseguido vingar e amadurecer. Alguns agentes deste setor, que nesta época estariam a empregar dezenas de trabalhadores na apanha da cereja, não estão a recrutar (por não ser economicamente rentável) ou têm as equipas reduzidas à mão-de-obra que habitualmente presta outros tipos de serviços agrícolas nas explorações. Estima-se uma redução de 60% na produtividade, face a 2019.

Quanto ao pêssego, a forte precipitação do final de maio agravou o cenário que já apontava para diminuição da produtividade em resultado das condições meteorológicas atípicas de abril. Prevê-se que o rendimento unitário ronde as 9,1 toneladas por hectare, 20% abaixo da alcançada na campanha anterior.

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