Presidente da Fenapecuária: “vejo com estranheza e tristeza que o Ministério da Agricultura não faça parte do Gabinete de Crise”

Confagri 03 Abr 2020

Fonte: agriculturaemar.com

O presidente da Fenapecuária — Federação Nacional das Cooperativas de Produtores Pecuários, Idalino Leão, vê “com estranheza e tristeza que o Ministério da Agricultura não faça parte do Gabinete de Crise”.

Relembre-se que, no passado dia 19 de Março, o Conselho de Ministros decidiu constituir um gabinete de crise presidido pelo primeiro-ministro António Costa, e integrado pelos ministros de Estado da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Santos Silva, de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, de Estado e das Finanças, Mário Centeno, da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, da Administração Interna, Eduardo Cabrita, da Saúde, Marta Temido, e das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos.

Para Idalino Leão, “se houvesse um momento em que seria exigível assumir a importância do sector agrícola, esse momento é agora. Seria um sinal político forte e importante para toda sociedade”.

Em declarações ao agriculturaemar.com, o presidente da Fenapecuária realça que se “existe uma quarentena que está a ser pedida, essa só é possível porque as despensas e frigoríficos estão cheios de produtos agroalimentares e são levados para os mercados pelos agricultores, que continuam a produzir o seu leite, os seus ovos, a sua carne, a fruta e os legumes”.

Idalino Leão acrescenta que “é importante garantir que todos os elos da cadeia agroalimentar não falhem, neste sentido é importante haver medidas excepcionais para os trabalhadores da agroindústria e das próprias explorações agrícolas. Por exemplo, nas explorações familiares se um elemento tiver Covid-19 , este não pode ser um factor impeditivo da exploração continuar a trabalhar. O mesmo se passa nas industrias agroalimentares, não podem parar”.

Medidas anunciadas sem eficiência

“A ministra da Agricultura está a falar com as organizações de produtores, com os agentes, mas para já ainda não temos medidas concretas para acudir à crise. Se o Ministério da Agricultura estivesse no Gabinete de Crise talvez tivéssemos medidas mais concretas”, diz Idalino Leão frisando que “as medidas anunciadas para a economia em geral na agricultura não têm qualquer efeito. A campanha promocional “Alimentar quem Alimenta” é positiva, mas tem que ser acompanhada por medidas concretas pelo poder politico, como por exemplo , as cantinas públicas na aquisição de agroalimentares deviam ter em linha de conta a distância onde o produto é produzido e consumido sendo este um factor diferenciador na aquisição dos mesmos. O código da contratação pública se tiver de ser alterado, nunca como agora houve um contexto político tão favorável para fazer as devidas alterações, haja vontade”.

Aquele responsável relembra ainda que já pediu suspensão das regras de greening da Política Agrícola Comum (PAC), salientando que a alteração tem de ser decidida pela Comissão Europeia, pelo que a Federação apelou à ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque, que use “todos os argumentos políticos ao seu dispor, para assumir o sector agropecuário nacional como sendo vital e prioritário para Portugal”.

Electricidade verde

Quanto a apoios adicionais, o presidente da Fenapecuária propõe que, neste contexto excepcional, “a electricidade verde seja retomada e alargada a todos os consumos das explorações agrícolas. A electricidade verde aqui seria fundamental para reduzir custo fixos de energia”.

Por outro lado, Idalino Leão mostra uma “preocupação imediata no sector da carne, que ainda continua a chegar ao consumidor final, mas já se notam dificuldades nas raças autóctones de bovinos de carne, nos pequenos ruminantes e nos leitões. Estas categorias foram as primeiras a sofrer pois estavam alicerçadas na restauração. É importante que o poder político e a fileira se unam de forma a encontrar uma solução para mitigar este problema. A Fenapecuária já encetou algumas diligências nesse sentido”.

O presidente da Federação Nacional das Cooperativas de Produtores Pecuários apela ainda “aos portugueses que prefiram os produtos agroalimentares nacionais. Esta crise tem que servir para aprendermos e todos devemos adoptar novos comportamentos e padrões de consumo mais próximos. Ser agricultor é mais do que uma profissão, é uma forma diferente de estar na vida. Hoje, mais do que nunca, temos a missão de alimentar os portugueses”.

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