Exportações de vinho cresceram três por cento em 2018 e atingiram 803 milhões de euros

Confagri 01 Mar 2019

As exportações nacionais de vinho subiram três por cento em 2018, atingindo 803 milhões de euros, disse à agência Lusa o presidente da ViniPortugal à margem da inauguração da nova sala de provas do Porto.

«Tivemos um primeiro semestre muito bom e um último trimestre muito mau», razão por que o crescimento foi de três por cento, com «uma queda dos vinhos fortificados», como são os do Porto e da Madeira, e «uma subida dos vinhos de mesa», especificou Jorge Monteiro.

O mesmo responsável referiu que outros países produtores registaram desempenhos similares, sendo exemplo disso «a África do Sul, que cresceu 4,2 por cento em valor, a Austrália 2,8 e a França 2,4».

O presidente da ViniPortugal afirma que já há uns anos que o mercado dos vinhos licorosos estagnou, o que tem sido compensado pelo desempenho favorável dos vinhos de mesa.

«Há dois mercados que influenciaram muito estes resultados» dos vinhos portugueses, «Angola, que continua a cair, cerca de 15 por cento em 2018, e a China, que estagnou», referiu Jorge Monteiro, acrescentando que «Macau e Hong Kong caíram».

O dirigente disse que «a França teve um comportamento semelhante» ao de Portugal no mercado chinês, tendo registado também um recuo das suas exportações, e «aparentemente o único país que ganhou na China foi a Austrália». «Portanto, China, com Macau e Hong Kong e Angola foram os que determinaram este arrefecimento», reforçou.

Jorge Monteiro concluiu que o vinho português teve «um bom desempenho», mas abaixo da expectativa. «Ainda assim tomara a nossa economia crescer como estas exportações», observou, assinalando que «mercado mundial passa hoje por algumas perturbações».

Para este ano, o exercício previsional comporta riscos porque a «conjuntura internacional é de alguma incerteza» e isso exige máxima atenção, avaliou. «A economia internacional está em arrefecimento, há o Brexit e não sabemos o que se está a passar na China. É muito cedo ainda para fazer previsões», notou Jorge Monteiro.

Acresce que a «vindima de 2018 foi curta e a produção inferior em 600 mil hectolitros», pelo que Jorge Monteiro teme «uma menor capacidade de abastecimento do mercado, que poderá obrigar a comprar mais vinho em mercados concorrentes, como Espanha e França, para manter a capacidade de exportação».

A ViniPortugal, enquanto organização interprofissional do vinho de Portugal, agrupando diferentes agentes do setor, executou as ações promocionais do vinho português previstas para 2018 e «muito orientadas para os consumidores» e para 2019 tem «sete milhões de euros» para investir nessa área, de acordo com o seu presidente.

Este ano, referiu, a instituição vai «trabalhar o México e a Dinamarca pela primeira vez» e, porque a distribuição melhorou, apostar mais nos consumidores do que nos profissionais, o que já acontece no Brasil e irá acontecer nos Estados Unidos, para onde está previsto «um grande evento».

Num brevíssimo olhar para 2018, Jorge Monteiro salientou prova de Moscovo, na Rússia, foi uma novidade e teve uma adesão enorme, mas realizaram-se outras em países como os Estados Unidos e Angola, sendo este «um mercado em queda».

Jorge Monteiro considerou ainda que «o grande projeto» da instituição em 2018 foi a sala de provas do Porto, que desde hoje funciona num edifício cedido pela Misericórdia local ao abrigo de «uma parceria» entre as duas partes e no qual foram investidos 180 mil euros.

Fonte: Lusa

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