Há que podar a vinha … mas bem!

Confagri 10 Jan 2020

Fonte: viticultura.vinhoverde.pt

Estamos na altura da poda.

Recomendamos por isso, uma leitura atenta ao artigo publicado na edição nº 10 do Boas Vinhas.

 

Com a chegada do Inverno, a vinha entra na fase de repouso vegetativo. É, pois, altura para se efectuar a poda das videiras. Podamos a vinha porque queremos dar forma e manter a videira num determinado espaço, de acordo com o modo de condução escolhido; conservar o vigor das cepas e, deste modo, preservar a longevidade das mesmas e obter uma produção regular, e com o máximo de qualidade, durante o maior número de anos.

A poda anual de Inverno assume, por isso, um papel determinante para se obter rentabilidade económica com a cultura da vinha. Sendo, a par da vindima, uma das tarefas que consome maior número de horas de mão-de-obra, não pode todavia este facto, por si, justificar que não sejam tidos em conta e postos em prática um conjunto de procedimentos de ordem técnica, aquando da sua realização.

A poda implica, naturalmente, fazer cortes na videira. Estes cortes, sobretudo os de maior dimensão, apresentam dificuldade em cicatrizar e são uma porta de entrada para os fungos que atacam o lenho da videira. Estes, perante condições climáticas favoráveis ao seu desenvolvimento, vão provocar a debilidade das cepas e mesmo a sua morte.

Estamos a falar de doenças do complexo do lenho da videira, como o Pé Negro, a Esca, a Eutipiose, a Black Dead Arm ou a Doença de Pierce, que estão em franca progressão em todo o mundo vitícola. Para esta realidade, contribuem vários factores, mas queremos destacar o que está relacionado com a falta de cuidado com a prática da poda.

No sentido de reduzir ou mesmo eliminar os prejuízos provocados com estas doenças, enumeramos de seguida um conjunto de boas práticas a levar a efeito quando fazemos a poda da vinha.

BOAS PRÁTICAS

 – Utilizar tesouras e serrotes bem afiados de modo a produzir cortes limpos que facilitem a cicatrização.

 – Sempre que possível não podar a vinha se estiver a chover.

 – Evitar efectuar cortes de grande dimensão. Sempre que tal seja necessário, aplicar imediatamente um betume ou pasta isolante, ou mesmo efectuar uma pulverização com produto contra fungos do lenho (já há alguns no mercado) sobre esses cortes.

 – Se houver cepas infectadas com doenças do lenho, devem ser podadas em primeiro lugar, com a queima imediata da lenha de poda. Só depois efectuar a poda das restantes cepas.

 – Não amontoar ou armazenar ao vento e à chuva perto da parcela de vinha restos de cepas mortas contaminadas.

 – Escolher as varas de poda e talões mais próximo do eixo do cordão da videira e praticar os cortes tendo em conta que não venham a criar zonas de tecido morto que prejudiquem o normal fluxo de seiva para alimentação destas unidades.

 – Iniciar a poda pelas parcelas com menor risco de geadas, deixando para o final (Março) as parcelas mais susceptíveis às mesmas.

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