Seca e excesso de calor baixam produção de vinho no Douro

Confagri 25 Ago 2022

Fonte: tsf.pt

Quem anda a vindimar sente na pele as altas temperaturas, mas não dá para esperar mais, pois a cada dia que passa as uvas ficam com menos sumo.

Num ano considerado “terrível” pelos viticultores, a Região Demarcada do Douro deverá produzir menos 20% de vinho do que o ano passado, de acordo com a previsão do Instituto da Vinha e do Vinho. A culpa é da seca e do excesso de calor, que provocaram alterações no amadurecimento das uvas e, em algumas zonas, obrigaram a antecipar as vindimas.

A colheita é, por norma, uma festa, mas este ano está a custar mais aos trabalhadores. Cristina Cardoso diz que “está muito calor”, mas como não há outro remédio do que continuar o trabalho, “bebe-se mais água e vai-se andando”. “Tem de ser”, conforma-se Deolinda Rebelo, porque “devido ao calor as uvas estão cada vez mais secas”, o que significa que “quanto mais tempo ficarem na videira, pior”.

As duas vindimadoras são de Medrões, em Santa Marta de Penaguião, onde Luciano Madureira, enólogo da empresa Rozès, ainda conseguiu arranjar pessoal para uma vindima em que as alterações climáticas se notam ainda mais este ano. O responsável aponta que “há uvas com mais açúcar, mas com acidez muito baixa. Outras estão muito desidratadas, muito sumidas e algumas até já secaram”.

Há também muitas videiras que já morreram porque não conseguiram resistir ao stresse hídrico. Daí que o enólogo fale num “ano terrível, muito complicado” que vai exigir que, no final, se “façam as contas”.

Luciano Madureira pensa também que 2022 é um ano de aviso para a necessidade de introduzirem mudanças na viticultura duriense, nomeadamente através do “estudo das castas que estão mais adaptadas ao clima”, cada vez mais severo na Região Demarcada do Douro.

Outra mudança terá de passar pela adaptação das novas vinhas à vindima mecanizada, pois a mão de obra é cada vez mais escassa. No concelho de Santa Marta de Penaguião ainda conseguiu arranjar pessoal local para fazer a vindima, mas como os mais novos fogem da agricultura para outras atividades, a solução tem passado por arranjar ajuda vinda de fora. No caso da Rozès, que também já anda a vindimar na zona de Freixo de Espada à Cinta, teve de recorrer a “timorenses, nepaleses, indianos e cabo-verdianos”.

De acordo com as previsões do Instituto da Vinha e do Vinho, a produção de vinho deverá baixar em Portugal cerca de 9% face à campanha anterior (caracterizada por uma produção anormalmente elevada).

Para as regiões do Douro e Lisboa há “quebras expectáveis de 20% em termos do volume”. Já o Minho deverá ter mais 10%, o mesmo que as Terras de Cister. No entanto, o calor e a falta de água “poderão acentuar o stress hídrico, pelo que as condições meteorológicas que se verificarem até à vindima serão determinantes na quantidade e qualidade da colheita”.

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