Para o Parlamento Europeu a política de coesão deve permanecer uma prioridade para a UE

Confagri 13 Mar 2018

A política de coesão deve permanecer uma prioridade para a União Europeia e ser apoiada por um financiamento ambicioso, mesmo à luz das pressões sobre o orçamento comunitário, recomendou esta terça-feira o Parlamento Europeu.

O Parlamento Europeu (PE), reunido em sessão plenária em Estrasburgo, recomendou que as sinergias com outros fundos da União Europeia (UE) sejam reforçadas e que seja atraído apoio financeiro complementar através de instrumentos financeiros no quadro da programação plurianual pós-2020.

«Não devem ser postos em causa valores como o da solidariedade europeia, que a política de coesão encarna», afirma o relatório, aprovado em plenário por 488 votos a favor, 90 contra e 114 abstenções.

A assembleia europeia recordou que a política de coesão «constitui a principal política de investimento, crescimento e desenvolvimento da UE», desempenhando um papel fundamental para garantir e promover investimentos públicos e privados nas regiões.

Os eurodeputados salientaram que a política de coesão é uma das «mais visíveis políticas europeias e a mais importante expressão de solidariedade europeia e de valor acrescentado em todas as regiões», que visa reduzir as disparidades económicas, sociais e territoriais, promover a convergência e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos europeus.

O relatório do PE centra-se nas regiões com baixo crescimento pertencentes à Itália, a Espanha, à Grécia e a Portugal e nas regiões com baixos rendimentos na Bulgária, Hungria, Polónia e Roménia.

O documento aborda várias questões, como o desemprego, sobretudo dos jovens, o abandono das terras, a governação, a dificuldade de acesso ao crédito, bem como o papel que a agricultura, as pescas e o turismo sustentável desempenham nestas regiões. O PE nota que muitos dos problemas das regiões mais atrasadas são semelhantes aos das regiões ultraperiféricas.

Os eurodeputados instaram a Comissão Europeia e os Estados-membros a criarem estratégias, programas e ações específicas para as diversas regiões mais atrasadas com vista a acelerar a sua convergência e assegurar as melhores soluções para a criação de emprego, o crescimento económico e o desenvolvimento sustentável.

A assembleia europeia reiterou a importância da inovação, da digitalização e da melhoria dos serviços de proximidade, como os serviços de saúde, sociais e postais e das infraestruturas para criar um ambiente positivo e um alicerce propício à promoção do crescimento e ao reforço da coesão nas regiões com atrasos de desenvolvimento.

O PE pediu também aos Estados-membros e às autoridades regionais e locais que apoiem projetos da economia azul e projetos similares, de forma a ajudar as pessoas nas regiões mais atrasadas a desenvolverem fontes de rendimento ambientalmente sustentáveis. A interação entre empresas, universidades e centros de investigação nas regiões mais atrasadas deve também ser reforçada.

A Comissão Europeia deve, no âmbito do Semestre Europeu, analisar o cofinanciamento nacional e regional ao abrigo dos Fundos Europeus Estruturais e de Investimento (FEEI), assim como o seu impacto nos défices nacionais, dizem os eurodeputados.

O PE instou também o executivo comunitário a «considerar a possibilidade de rever a relação existente entre a política de coesão e a governação macroeconómica», sustentando que a relação entre a política de coesão e os processos de governação económica no quadro do Semestre Europeu deve ser ‘equilibrada, recíproca e incidir sobre um sistema de incentivos positivos».

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, tem repetido que a saída do Reino Unido do bloco comunitário torna inevitável um corte no orçamento das políticas agrícolas e de coesão.

A política de coesão representa cerca de um terço do orçamento da UE, sendo implementada através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, do Fundo Social Europeu e do Fundo de Coesão.

Fonte: MadreMedia/Lusa

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