As exportações portuguesas de frutas e legumes deverão atingir os mil milhões de euros este ano, prevê o presidente da Portugal Fresh, mostrando-se confiante na apetência dos mercados internacionais para superar a «recessão» do consumo interno.
Cerca de 40 produtores nacionais de frutas e legumes vão, a partir de quarta-feira, mostrar a sua oferta em Berlim, na Fruit Logistica, uma das maiores feiras do sector, apostando fortemente na divulgação internacional dos seus produtos para contrariar a crise interna.
O presidente da Portugal Fresh, Associação para a promoção das Frutas, Legumes e Flores, Manuel Évora, salientou o comportamento positivo das exportações, que deverão ter aumentado 12 por cento entre 2010 e 2011, passando de 800 para 900 milhões de euros, e espera que as vendas internacionais cheguem aos mil milhões de euros este ano.
Manuel Évora adiantou que África e a Europa continuam a ser os principais destinos dos hortícolas nacionais, mas destacou também o aumento das exportações para a América Latina, sobretudo o Brasil, «apesar de ainda ser necessário eliminar barreiras alfandegárias».
Já o mercado interno «apresenta uma recessão de consumo e de preço assustadora», que se acentuou desde a crise do E. Coli. Em Junho do ano passado, o pânico instalou-se entre os consumidores europeus depois de 50 pessoas terem morrido na Alemanha devido a uma estirpe mortal de E. Coli que levou as autoridades alemãs a lançarem um alerta sobre lotes de pepinos espanhóis e desaconselharem o consumo de pepinos, tomates e saladas.
A suspeita acabou por se mostrar infundada, mas as dúvidas sobre a origem da epidemia afastaram os consumidores dos legumes, provocando elevados prejuízos aos agricultores, que ultrapassaram os 5 milhões de euros no caso de Portugal.
«Os hortícolas tiveram uma quebra muito acentuada», afirmou Manuel Évora, salientando que os volumes de produção não abrandaram o que se reflectiu na quebra de preços.
«Os preços das batatas, cenouras e couves estão assustadoramente baixos face aos custos de produção. Os produtos de saladas também sofreram imenso», disse o responsável da Portugal Fresh.
Os produtores de peras e maçãs estão também a sofrer as consequências da retracção do consumo num ano de «boa produção».
«Esperamos por dias melhores», conformou-se Manuel Évora, lançando um «desafio ao consumo de produtos nacionais» que vai servir de mote à presença da Portugal Fresh, entre quarta e sexta-feira, na feira de Berlim.
O programa prevê a visita da ministra da Agricultura, Assunção Cristas, e demonstração de cozinha tradicional portuguesa, cujos ingredientes assentarão na produção nacional.
Fonte: Lusa