Fonte: ANIL/Distribución Actualidad
A produção espanhola de leite não é suficiente para abastecer o consumo nacional e há que recorrer a importações, especialmente de França e de Portugal. A volatilidade dos preços na origem e a pressão da distribuição sobre as margens abortam alterações radicais, mas necessárias. A quota leiteira espanhola (6,36 milhões de toneladas) é deficitária e isto coloca o país em desvantagem face aos vizinhos comunitários. Em 2015 serão desmanteladas as quotas leiteiras e haverá que reposicionar-se no mercado.
Inovação necessária
A inovação converteu-se num factor chave na produção e industrialização do sector. Elaborados e derivados do leite confluem num terreno em que o tecido industrial tende a concentrar-se. Multinacionais, com actividade diversificada e um largo leque de referências, sob o ‘guarda-chuva’ de grandes marcas, competem com as MDD, num mercado em que o leite embalado, pronto a consumir, continua a ser o mais importante segmento de mercado e o produto básico, por excelência. A redução do impacto ambiental em formatos e embalagens ganha terreno e impõe-se em novos produtos e novas gamas.
Três clássicos
Os dados auditados pela Symphony IRI no mix leite e soja apontam para um volume superior aos 2,8 mil milhões de litros, distribuídos pelos canais de livre-serviço, com um valor de 2,1 mil milhões de euros, o que em ambos os casos supõe uma redução de valores e volumes na ordem de 1%.
O segmento do leite clássico, nas suas três variedades, (inteiro, semi-desnatado e desnatado) capta mais de três quartas partes do volume (75,4%) e mais de metade das vendas (65,3%). A maior participação corresponde ao leite semi-desnatado com valores superiores a 40%. No que se refere às marcas, as MDD impõe-se nos lineares, representando mais de metade da procura em volume e 40% em valor. No Top-5 destacam-se fabricantes como a Capsa, a Lactalis e a Pascual, mas todas quotas inferiores à marca própria.
A marca branca em embalagem tetra-brik domina o subsector do leite embalado (40,8% das vendas e 50,7% dos volumes. Contudo, em garrafa de plástico o seu peso reduz-se notavelmente, não ultrapassando os 3%, sendo superada pela Central Lechera Asturiana e Pascual.
Iogurtes, linear e degustação
O iogurte adquire protagonismo entre os derivados do leite. A explosão das iogurterias está a impulsionar o respectivo consumo e eleva-o à categoria do produto-degustação, que admite múltiplas combinações. Os estudos da Symphony IRI confirmam a sua pujança. Mais de 785 mil toneladas distribuídas por todos os segmentos do mercado, com um valor superior a 1,9 mil milhões de euros, o que supõe um crescimento, quer em volume, quer em valor, a rondar os 2%.
Os segmentos-estrela do mercado são os bífidus, outros leites fermentados L Casei e desnatados. Estes últimos apresentam crescimentos de dois dígitos em valor (mais 11,7%) e de quase 6% em volume. Os iogurtes desnatados são a única categoria em que as vendas de MDD superam as da Danone, situados quase a par com a marca Vitalínea Tradición. O seu maior rival, a MDD, saca três pontos de vantagem em valor (44.4%) e quase dobre em valor (61,3% face a 30,6%).
O alto preço da marca líder condiciona em alguns segmentos a respectiva compra. O Actimel da Danone capta 71,8% do valor, mas apenas 56,6% do volume. As referências da grande distribuição crescem ligeiramente desde o ano transacto, mas não conseguem descolar da segunda posição (27,5% em valor e 42,8% em volume).
No que se refere ao mercado total de iogurtes, no quadro dos principais operadores os nomes da Danone, Kaiku, Nestlé, CLAS e Campina. La MDD ocupa a segunda posição entre os cinco primeiros.
Menos batidos
Com vendas de 158 milhões de euros e um contingente de 117,7 milhões de Kgs, os batidos de leite evolucionaram em baixa. Assim o demonstram as contracções de 2,2% e de 4,4% experimentadas em vendas e em volume, respectivamente.
Novas variedades, surgidas nos últimos anos - smoothies, combinações de fruta ou bebidas à base de leite – relegaram para um segundo plano os batidos tradicionais. A MDD (com 34,3% em volume) compete com a Puleva (33,5%) nos primeiros escalões do mercado, marcando uma ampla margem de distância em relação aos restantes competidores (Nutrexpa, Pascual e Parmalat-Letona).